03 Dezembro 2016
Itália vai a referendo este domingo e o primeiro-ministro Matteo Renzi prometeu demitir-se se perder, abrindo o caminho a Beppe Grillo.
Quem é o comediante que manda os adversários "vaffanculo"?
Num certo ano de 2016, um britânico, um espanhol, um americano, um francês de direita e um italiano vão às urnas.
O britânico decide sair de um clube onde nunca foi verdadeiramente feliz; o espanhol não sabe bem onde votar e acaba por esperar quase um ano para saber quem é que afinal de contas manda na terra dele; o americano escolhe um homem com um penteado duvidoso e ideias polémicas, que faz o resto do mundo franzir um sobrolho coletivo; o francês de direita fica-se por um indivíduo que é tão, mas tão de direita, que só ele pode roubar votos à senhora da extrema-direita.
O britânico decide sair de um clube onde nunca foi verdadeiramente feliz; o espanhol não sabe bem onde votar e acaba por esperar quase um ano para saber quem é que afinal de contas manda na terra dele; o americano escolhe um homem com um penteado duvidoso e ideias polémicas, que faz o resto do mundo franzir um sobrolho coletivo; o francês de direita fica-se por um indivíduo que é tão, mas tão de direita, que só ele pode roubar votos à senhora da extrema-direita.
E o italiano?
O italiano vai a votos num referendo onde está em causa a reformulação de um terço da Constituição, depois de o primeiro-ministro ter dito que isso tudo tornaria o país mais estável.
Só que, no final, tudo isto pode ser abalado por outro homem que começou por ganhar a vida como comediante, logo se tornou num político anti-partidos e que, acima de tudo, não tem qualquer preocupação com a estabilidade política do país.
O italiano vai a votos num referendo onde está em causa a reformulação de um terço da Constituição, depois de o primeiro-ministro ter dito que isso tudo tornaria o país mais estável.
Só que, no final, tudo isto pode ser abalado por outro homem que começou por ganhar a vida como comediante, logo se tornou num político anti-partidos e que, acima de tudo, não tem qualquer preocupação com a estabilidade política do país.
A piada faz-se sozinha — mas mesmo que assim não fosse, Beppe Grillo faria toda a questão de ser o seu autor.
Como aconteceu numa entrevista que deu ao The New York Times, nos idos de 2013. Pouco antes, o seu partido, o eurocético e ideologicamente ambíguo Movimento Cinco Estrelas, tinha acabado de conquistar 25,5% dos votos, tornando-se no maior partido da oposição na Câmara dos Deputados e assim ser a possível chave para desbloquear a formação de um Governo do Partido Democrático.
Quando lhe perguntaram se iria permitir estabilidade ao Governo que se seguiria, disse que essa hipótese era “inadmissível”.
E depois recorreu à metáfora, recurso estilístico recorrente na comédia: “Seria como Napoleão fazer um um acordo com Wellington”.
Como aconteceu numa entrevista que deu ao The New York Times, nos idos de 2013. Pouco antes, o seu partido, o eurocético e ideologicamente ambíguo Movimento Cinco Estrelas, tinha acabado de conquistar 25,5% dos votos, tornando-se no maior partido da oposição na Câmara dos Deputados e assim ser a possível chave para desbloquear a formação de um Governo do Partido Democrático.
Quando lhe perguntaram se iria permitir estabilidade ao Governo que se seguiria, disse que essa hipótese era “inadmissível”.
E depois recorreu à metáfora, recurso estilístico recorrente na comédia: “Seria como Napoleão fazer um um acordo com Wellington”.
Ora, Wellington, neste momento, é Matteo Renzi — só que nada garante que, tal como o primeiro fez em Waterloo, o primeiro-ministro italiano saia vitorioso da batalha deste domingo.
Num esforço para pôr um fim à tradição enraizada em Itália de os governos serem curtos e ineficazes — nos últimos 70 anos, Itália teve 63 governos —, o primeiro-ministro e líder do Partido Democrático promoveu um conjunto de reformas constitucionais que acredita serem o antídoto ao atual problema.
Num esforço para pôr um fim à tradição enraizada em Itália de os governos serem curtos e ineficazes — nos últimos 70 anos, Itália teve 63 governos —, o primeiro-ministro e líder do Partido Democrático promoveu um conjunto de reformas constitucionais que acredita serem o antídoto ao atual problema.








