segunda-feira, 3 de setembro de 2018

"Fechar um balcão da Caixa é reduzir o acesso das PME ao crédito"

BANCA
Pedro Ferreira Esteves
3 de Setembro de 2018, 7:00 





















Numa altura em que se negoceiam aumentos salariais no banco público, Paulo Marcos critica o "descaramento" da administração da Caixa de propor 0,35%. 
E contrapõe com aumentos de 3,96%.

Primeira parte da entrevista a Paulo Marcos: Proposta da Caixa aos trabalhadores é “desastrada”

No início do ano fez um pedido de concertação entre sindicatos no tema dos aumentos salariais. Esse pedido não deu frutos. Porquê?
Quando há duas partes em confronto há todo o interesse em que as partes falem unificadas. Quando chegámos percebemos que ao contrário dos bancos que falavam a uma só voz na Associação Portuguesa de Bancos (APB), as diversas federações sindicais apareciam desgarradas, desligadas. 
E portanto escrevi aos meus homólogos. 
Fazia sentido trabalharmos em conjunto para maximizarmos o bem-estar dos trabalhadores. Inclusive antecipando um futuro problema na Caixa, escrevi aos meus colegas do STEC propondo uma mesa negocial única. 
Tenho esperança que havendo uma renovação geracional de dirigentes nas estruturas sindicais venham pessoas com menos histórico e pessoas com capacidade de fazer as pontes.

Chegam à mesa de negociação com a proposta mais alta… é para baixar ou está escrito em pedra? 
Não está escrito em pedra, mas diria que fazendo as contas, correspondendo ao repto da administração da Caixa que acha que os funcionários são bancários, é 3,96%. 
A discussão deve ser centrada aqui e não tanto nas anuidades. 
E não tanto na reposição, porque os trabalhadores perderam cerca de 12% do poder de compra nos últimos nove anos.

Um dos argumentos da administração é que tudo o que está no AE actual vale 1% na tabela salarial, logo à partida. 
Parece-me que esses números carecem de confirmação. 
Eu diria que em 2011 os trabalhadores da Caixa não foram actualizados, 2016 não foram actualizados, em 2017 também não. 
Na fundamentação económica que a Caixa nos enviou, apesar de a generalidade dos dados reportarem a 2010 e 2015, há um que vale a pena ressalvar, que é onde diz que a inflação de 2017 foi de 1,6%. 
Não consigo perceber o descaramento da administração da Caixa de propor 0,35%, quando muito recentemente a administração viu os seus vencimentos impulsionados para equivalente ao que são os salários dos administradores bancários. 
Temos aqui dois pesos e duas medidas

Em relação aos prémios anunciados para Setembro, a iniciativa foi recebida com alguma indiferença pelos sindicatos. Como explica isso? 
Se os prémios forem um reconhecimento de trabalho, nada a opor. 
Mas a atribuição de prémios não deve escamotear o facto de a administração da Caixa ter visto as condições remuneratórias progredirem de forma significativa e estarem a propor aos trabalhadores uma continuação da perda do poder de compra. 

Como acha que a população em geral olha para estas negociações na Caixa, onde há condições que não se verificam na generalidade dos sectores? 
Hoje é mais proveitoso, mais rentável trabalhar no turismo, nas actividades imobiliárias ou noutros sectores, do que na banca. 
Remunera mais, com menos exigências, não tem a supervisão, a responsabilidade cível e criminal associada. 
Porque quando um cliente comprou um produto que não era adequado para o seu perfil, litiga contra o banco e contra o trabalhador. 
E muitas vezes o trabalhador bancário vendeu o produto que achou que era tão bom que comprou para si, com base em informação imperfeita. 
O regulador não regulou, o auditor não viu, o revisor também não. 
Poucas profissões têm o nível e a exigência formativa, a obrigatoriedade de conhecer os clientes, a reserva e o sigilo bancário que são valores quase absolutos em Portugal, e ainda correm o risco de enfrentarem litigância cível e criminal. 
Para este nível de exigências e complexidade, basta olhar para a demissão em massa dos jovens qualificados que não querem trabalhar num sector cujos níveis de remuneração, de pressão, estão desajustados de outros sectores, portanto a resposta é não.

Como vai a Caixa eliminar mais 1000 postos de trabalho em dois anos? 
Eu não vejo nenhuma razão, nem nenhuma necessidade para que essa evolução não seja feita em paz social. 
Admito que todos os anos na Caixa cheguem à idade de reforma 250, 270 pessoas. 
Em dois anos, 500 pessoas. 
Depois é ter capacidade negocial para ter algumas reformas antecipadas e depois ter um pacote de rescisões voluntários, sem coacção para quem quer ter outras oportunidades.

Tem conhecimento de casos de coacção para acelerar saídas de pessoas? 
Desde que a lei foi criminalizada, o SNQTB foi provavelmente a entidade na sociedade civil que mais pugnou pela criminalização, que fez propostas legislativas. 
Desde que está criminalizado, as coisas estão bastante melhor.

Onde tem sentido, no país, que o fecho de balcões da Caixa está a criar mais problemas? 
O país tem um litoral até 30 quilómetros (kms) e depois outro país para o interior. 
E nesse outro país o encerramento de um balcão da Caixa não quer dizer só quatro ou cinco postos de trabalho, o que seria mau. 
Quer dizer que se reduziram de forma significativa as oportunidades de os agentes económicos com iniciativa terem acesso a crédito. 
Porque as pequenas empresas [PME] são caracterizadas pela informalidade, é muito difícil reconstruir em tempo útil relações de confiança que possibilitem que o fluxo normal de financiamento a essas empresas não seja interrompido.

As suas remunerações foram públicas há pouco tempo. O facto de as pessoas envolvidas nesta negociação saberem quanto ganha, fragiliza-o de alguma maneira? 
Absolutamente não.

Proposta da Caixa aos trabalhadores é “desastrada, descuidada e inoportuna”

BANCA
Pedro Ferreira Esteves
3 de Setembro de 2018, 7:00 





















Paulo Marcos, presidente do maior sindicato bancário do país, defende que “é chocante receber em 2018 uma fundamentação económica de 2015” sobre a proposta de Acordo de Empresa da administração de Paulo Macedo.

O Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB), liderado por Paulo Marcos, tem pouca representação na Caixa Geral de Depósitos (CGD), mas vai sentar-se à mesa das negociações sobre o Acordo de Empresa (AE) do banco público, denunciado pela administração, com a experiência de ter fechado o AE em vários bancos privados já depois do pior da crise ter passado.

Porque não fizeram greve no dia 24 de Agosto?
Porque os nossos sócios acharam, em plenário, embora concordando connosco quanto ao tempo inoportuno da denúncia, e ao modo, que devemos negociar primeiro. Achamos que a greve é a solução de último recurso.

O STEC (Sindicato de Trabalhadores das Empresas da Caixa) acha que a greve dá uma posição de força para ir à negociação mais forte?
O nosso ADN é de negociar e procurar chegar a um encontro a meio do caminho, se for o caso. A nossa força deriva da capacidade técnica de preparar os dossiês, o que é muito importante. Vale a pena dizer que a CGD fez uma denúncia e mandou-nos uma fundamentação cujos últimos dados são de 2015. Era difícil ser mais incompetente. Mandaram uma denúncia com uma fundamentação económica reportando a 2015, quando os non perfoming loans (crédito malparado ou com problemas) estavam a subir, mas podiam ter posto a fundamentação com base nos dados do mês passado, quando estão a cair.

E o que distingue a vossa contraproposta?
A Caixa procurou com este Acordo de Empresa (AE) igualar os seus trabalhadores ao Código de Trabalho, é uma posição de princípio. Mas não deixa de ser sintomático. A posição da administração da Caixa é “não somos funcionários públicos, somos bancários”. E é esse o sentido da proposta. Mas o que nos mandam vai muito para além disso. “Nós não somos funcionários públicos, não somos bancários, somos trabalhadores de uma qualquer empresa privada de um sector indiferenciado”. É uma concepção completamente errada. Se para que os trabalhadores da Caixa não tivessem progressões e aumentos vigorou o entendimento de que eram funcionários públicos, agora para a retirada de um conjunto de um acervo contratual, cláusulas com mais 80 anos, agora resolveram que eram bancários

O fim das progressões por antiguidade é uma dessas cláusulas?
A administração da Caixa quer eliminar as progressões por antiguidade. Nós achamos que devem ser mantidas para os actuais trabalhadores. Não faz sentido que, num banco com regras estáveis há 40, 50, 80 anos, com implicações nas carreiras, nas opções das pessoas, de repente as regras sejam alteradas, alterem-se as expectativas sobre as quais as pessoas fundaram as carreiras.

Mas admite que para as novas contratações já não existam progressões automáticas por antiguidade?
A meritocracia e o esforço individual são pilares das nossas crenças. Mas também convém ter em conta que o processo de progressão por mérito tem algum elemento de subjectividade e as organizações mais maduras temperam isso com o factor antiguidade.

No actual AE  de 2016, só com avaliações positivas se pode activar a progressão por antiguidade. 
A nossa contraproposta é manter para os trabalhadores actuais as promoções por antiguidade nos moldes que estão no acordo de 2016, já no pós-troika. Algo que a administração da Caixa quer eliminar. Por outro lado, existem as promoções por mérito. Isso para nós é um pilar. A administração quer acabar e nós propomos uma cláusula semelhante ao que negociámos com a Associação Portuguesa de Bancos (APB), mas com dois escalões, um até ao nível 9 e outro em diante, mais exigente.

Essa divisão nos escalões das promoções por mérito é exclusiva para a Caixa? 
A Caixa cometeu um erro base: enquanto a outra metade do sector bancário fez a denúncia do Acordo Colectivo (AC) em 2012, numa altura em que a lei o permitia e as condições de exploração estavam a degradar-se acentuadamente, a Caixa faz a denúncia quando as condições de exploração estão a recuperar. O ACT como foi assinado em 2016 para nós representa o ponto mínimo, a maré mais baixa, de uma concepção das relações de trabalho. E a partir daí vê-se que o AE do Montepio já é de Dezembro de 2016, o do BCP de 2016, o mais recente é o do Banco de Portugal, vê-se que a maré voltou a encher. Entendemos este pretexto que a Caixa nos dá como uma oportunidade de usar a Caixa como farol do sector e voltar a introduzir elementos que premeiam o esforço, a dedicação, a aquisição de competências e que devem ser valorizados. Querer usar o ponto mais baixo, para nós é irrepetível.

Faz sentido para si, que negoceia sobretudo com a banca privada, o objectivo assumido pela Caixa de aproximar o AE do resto do sector, até pelos compromissos assumidos com Bruxelas? 
Em termos teóricos não faz sentido nenhum. Conceptualmente para nós a Caixa era um instrumento de coesão nacional. O nosso modelo de um banco como a Caixa é um banco que estando presente nos municípios do interior, uma parte substancial das poupanças que capta nesses municípios aplica em investimentos e oportunidades nessas zonas periféricas. O que não faz sentido é replicar o modelo de um banco comercial, aplicando as poupanças dessas zonas em dívida de grandes empresas internacionais.

Mas a gestão da Caixa cita essa aproximação aos privados como argumento para denunciar o AE. 
Mas o pecado original não é da administração da Caixa, que acabou de chegar. A administração tem uma carta de missão, compromissos negociados com Bruxelas cujos contornos são opacos porque não são públicos, laboriosamente negociado longe do escrutínio público que na prática aproxima a Caixa de um banco privado, exige-lhe uma presença geográfica muito mais reduzida, redução de balcões, de capacidade, de pessoas, porque lhe exige rácios de eficiência típicos de quem quer estar cotado em bolsa.

Um dos argumentos da Caixa é que o novo AE mais ágil permitirá atrair mais talentos e mais jovens? 
Uma das figuras clássicas da integração de jovens na banca é a de um estágio. A Caixa elimina-a. Para nós faz sentido que continue a haver estágios. Se a vontade é atrair quadros parece-me estranho que a Caixa elimine essa possibilidade.

Mas com o actual AE, a Caixa atrai mais facilmente jovens? 
As empresas portuguesas conseguem ser atractivas para um jovem recém-licenciado, bi ou trilingue, altamente qualificado? Essa é a questão chave. Mas não me parece que a Caixa tenha problemas de atractividade relativa em Portugal.

Porque é que acha que a gestão da Caixa quer acabar com as anuidades 
Parece-me que é uma tentativa de chatear. Na banca, quando alguém muda de banco, leva know how proprietário e conhecimento de cliente. Por isso, existe um mecanismo para compensar a fidelidade das pessoas à instituição, uma vez que as empresas bancárias investem no desenvolvimento profissional dos trabalhadores. Do ponto de vista material, isto não tem expressão nenhuma para a Caixa. Para os trabalhadores, materialmente tem alguma importância. Por que raio quer a Caixa acabar com isto?

O fim da contratualização da saúde também é exemplo do que descreve 
Isso é algo mais bizarro. O estatuto de trabalhador da CGD prevê a existência de serviços sociais. Na proposta de contrato colectivo a natureza dos serviços sociais não está explícita, há vagas referências, mas carece de regulamentação. Na prática, o ACT e o AE são sítios onde se detalhava e regulamentava estes princípios gerais. Para nosso espanto, para quem se quer aproximar do sector, a proposta que nós recebemos não faz qualquer menção à assistência médico social, que é um dos pilares da carreira bancária. Nenhum banco até hoje tinha tido o atrevimento de retirar a menção da assistência médico social de um ACT. Isso para nós é profundamente bizarro e lutaremos até ao fim.

O argumento da administração é que os serviços sociais estão na lei orgânica. 
As leis orgânicas mudam-se por decisão ministerial. Os instrumentos de contratação colectiva de trabalho são matérias entre duas partes. Os trabalhadores estão muito mais salvaguardados se puderem ser partes desse contrato.

Para si, o SAMS (Serviços de Assistência Médico Social) tem de estar no AE, mas os serviços sociais não? 
O que tem de estar no AE é o que estava, que é a contratualização da assistência na saúde. E além disso tem de haver um direito de opção, que hoje não existe, entre um sistema privativo da Caixa e um sistema que não seja privativo, que os restantes bancários usufruem [SAMS]. Esta transição que a administração procura fazer entre 'funcionários públicos não, bancários sim', deve envolver a liberdade de escolha. A médio prazo, um sistema privativo, numa população com tendência ao envelhecimento, é a receita de desastre. Numa altura em que a Caixa está comprimida e com menos capacidade de ser generosa para serviços privativos e eventualmente ineficientes, faria todo o sentido que os trabalhadores tivessem liberdade de escolha.

É difícil justificar aos seus associados dos outros bancos a existência deste sistema privativo? 
Se os trabalhadores da Caixa conseguiram ter alguns benefícios, isso para nós serve como estímulo para procurar o nível geral. O que a administração da Caixa quer é retirar esses acréscimos de benefícios e pô-los muito abaixo do sector. Nós achamos que os trabalhadores da Caixa não devem ter menos direitos que os seus congéneres da banca

Não devem ter menos, mas podem ter mais direitos? 
Se nós dizemos que a Caixa deve ser um instrumento de coesão nacional e isso pode implicar balcões e trabalhadores em zonas especialmente vocacionadas para servir franjas populacionais menos letradas, há uma noção de missão que tem de ser recompensada.

Sobre esse tema, a gestão propõe mudar trabalhadores entre distritos contíguos. 
Nós achamos que o que deve estar é concelho e concelho contíguo. A partir daqui tem de ser objecto de negociação e compensação. Pode um dia ser tentador forçar a mobilidade geográfica como condição sine qua non. Não faz sentido que a Caixa seja tentada a fazer iniciativas deste género.

Quais são as vossas linhas vermelhas na negociação? 
Uma delas é a terminação da antiguidade. A Caixa não prevê contar a antiguidade que tenha vindo de outra instituição de crédito. Achamos que é uma aberração, porque todas as restantes instituições têm um mecanismo de reconhecimento mútuo de antiguidade, que é uma das formas de facilitar a mobilidade sectorial e para nós a mobilidade é um valor de valorização. A proposta da administração também não reconhece a antiguidade entre as empresas do grupo. Outra linha vermelha é a cláusula de garantia de funções, a Caixa quer garantir a actividade para qual os trabalhadores foram contratados e nós achamos que deve ser mais lato, não a actividade mas a categoria profissional. Imagine que alguém foi contratado para funções de caixa, fez a evolução e chegou a gerente. Não faz sentido é que fechando aquele balcão, a pessoa tenha de voltar a caixa, júnior ou a paquete ou a estagiário. Também queremos manter o prémio de antiguidade para os actuais trabalhadores e para as novas admissões fazer como o ACT, isto é, um prémio de final de carreira.

O que aceita da administração? 
Aceitamos que haja maior ênfase na meritocracia e nas promoções por mérito e isso possa ser a pedra nas novas carreiras e nos novos bancários.

Parece-lhe que isto é uma privatização das relações laborais? 
É uma pergunta que tem de fazer ao dr. Paulo Moita de Macedo. Parece-me que é no mínimo desastrada, descuidada e inoportuna a forma e o conteúdo do que foi feita. É no tempo errado com uma argumentação de uma fragilidade económica chocante. E que não honra a Caixa nem a memória de quem a dirigiu até agora. No mínimo é chocante receber em 2018 uma fundamentação económica de 2015.

domingo, 19 de agosto de 2018

Um adolescente palestiniano é morto pelo exército israelita na Faixa de Gaza

FAIXA DE GAZA
Agência Lusa   28/7/2018, 10:20


















Eleva-se assim para três o número de palestinianos mortos nestes protestos, após a morte de uma criança de 12 anos e um homem de 43 anos com uma bala na cabeça disparada pelo exército israelita.

Um adolescente palestiniano morreu este sábado devido a ferimentos sofridos por tiros de soldados israelitas, durante uma manifestação perto da barreira que separa Israel da Faixa de Gaza, informou o Ministério da Saúde palestiniano.

O jovem, de 17 anos, foi baleado no peito na sexta-feira, durante os protestos perto da cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, controlada pelo movimento islâmico Hamas.

Eleva-se assim para três o número de palestinianos mortos nestes protestos, após a morte de uma criança de 12 anos e um homem de 43 anos com uma bala na cabeça disparada pelo exército israelita, segundo o Ministério.

O exército israelita não comentou as mortes, mas indicou que 7000 “manifestantes” palestinianos atiraram pedras e pneus queimados contra soldados israelitas na barreira.

As tropas responderam “com meios antimotim e dispararam de acordo com as regras”, referiu o exército israelita.

Pelo menos 157 palestinianos foram mortos na Faixa de Gaza desde o início dos protestos, a 30 de março, contra o bloqueio israelita que dura há mais de 10 anos e exigem o direito de retorno dos palestinianos que fugiram ou foram expulsos de suas casas e terras durante a criação de Israel em 1948.

Um soldado israelita foi morto a 20 de julho por um palestiniano durante uma operação do exército perto da barreira, o primeiro nesta área de guerra entre o Hamas e Israel em 2014.

Três guerras opuseram estes dois protagonistas desde 2008.

Libertada adolescente palestiniana que agrediu soldados israelitas

FAIXA DE GAZA
Agência Lusa   29/7/2018, 10:43



















Ahed Tamimi, 17 anos, foi detida a 19 de dezembro passado, alguns dias depois de ter sido filmada a agredir dois soldados, num vídeo que se tornou viral na Internet.

A adolescente palestiniana, que passou oito meses na prisão por ter agredido dois soldados israelitas, foi libertada este domingo, anunciou um porta-voz israelita.

Ahed Tamimi, de 17 anos, e a mãe, que também foi detida na sequência do mesmo incidente, foram transferidas pelas autoridades israelitas da prisão até a um ponto de controlo de entrada para a Cisjordânia, onde as duas residem.

“Elas acabam de deixar a prisão”, disse o porta-voz Assaf Librati.

Ahed Tamimi foi detida a 19 de dezembro passado, alguns dias depois de ter sido filmada a agredir dois soldados, num vídeo que se tornou viral na Internet.

As imagens mostravam a adolescente e uma prima, Nour Tamimi, a aproximarem-se de dois soldados israelitas, apoiados num muro, do pátio da casa das jovens em Nabi Saleh, uma aldeia em território palestiniano ocupado por Israel há mais de 50 anos.

As duas raparigas exigiram aos soldados que saíssem do local e agrediram-nos com pontapés, murros e bofetadas.

Ahed Tamimi tinha 16 anos quando foi detida. 
A 21 de março foi condenada a oito meses de prisão, depois de se dar como culpada.

Israel bloqueou fornecimento de combustível e de gás à Faixa de Gaza

CONFLITO ISRAELO-PALESTINIANO
Agência Lusa   2/8/2018, 7:44


















Israel bloqueou o fornecimento de combustível e de gás para a Faixa de Gaza, em resposta aos engenhos incendiários lançados para território israelita.

Israel bloqueou esta quinta-feira o fornecimento de combustível e de gás para a Faixa de Gaza, em resposta aos engenhos incendiários lançados para território israelita, informou o ministro da Defesa, Avigdor Lieberman.

Em comunicado, Lieberman explicou que a medida de retaliação surge em resposta à “continuação de ações terroristas com recurso a balões incendiários e a confrontos na fronteira” entre Israel e Gaza.

A 17 de julho, Israel reforçou o bloqueio ao redor da Faixa de Gaza, imposto há mais de uma década. 
A 9 de julho, Israel também já tinha anunciado o fecho do terminal Kerem Shalom, o único ponto de passagem de mercadorias entre aquele território e a Faixa de Gaza.

As restrições foram parcialmente suspensas após uma trégua no final de julho entre Israel e o grupo islâmico Hamas que controla o enclave palestiniano. 
O lançamento de engenhos incendiários diminuiu drasticamente, mas foram retomados nos últimos dias, de acordo com os serviços de bombeiros israelitas.

Mulher grávida e filha de 18 meses mortas em ataque aéreo israelita

CONFLITO ISRAELO-PALESTINIANO
Agência Lusa   9/8/2018, 7:12



















Uma mulher palestiniana, que estava grávida, e a sua filha de 18 meses foram mortas durante um ataque aéreo israelita na noite de quarta-feira na Faixa de Gaza.

Uma mulher palestiniana, que estava grávida, e a sua filha de 18 meses foram mortas durante um ataque aéreo israelita na noite de quarta-feira na Faixa de Gaza, informou esta quinta-feira fonte do serviço de saúde da Palestina.

Enas Khammash, de 23 anos, e a sua filha, Bayan, morreram durante um raide que atingiu Jafarawi, no centro da Faixa de Gaza. 
O marido de Etnas Khammash ficou ferido, segundo a mesma fonte citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

O ataque aéreo aconteceu na sequência de uma série de raides de Israel em resposta ao disparo de dezenas de granadas de morteiros da Faixa de Gaza em direção ao seu território.

Israel fecha a passagem com a Faixa de Gaza

FAIXA DE GAZA
Agência Lusa   19/8/2018, 11:31
A Faixa de Gaza, um território sem litoral entre Israel, Egito e o mar Mediterrâneo, está submetida a bloqueio pelos israelitas há dez anos

Protestos dos palestinianos ao longo da fronteira levaram Israel a fechar a passagem de Erez, no norte da Faixa de Gaza, exceto para doentes e os moradores em Gaza.

Israel fechou este domingo a passagem de Erez, no norte da Faixa de Gaza, devido aos contínuos protestos dos palestinianos ao longo da fronteira, declarou uma fonte oficial.

A passagem de Erez, a única travessia para pessoas entre o enclave palestiniano e Israel, permanecerá aberto para “casos humanitários e para os doentes”, disse uma porta-voz do órgão responsável pela coordenação das atividades israelenses nos Territórios Palestinianos (COGAT).
A passagem de Erez foi fechada em razão da continuidade das manifestações violentas ao longo da fronteira”, disse a porta-voz, sem dar detalhes sobre o período de encerramento.
O Gabinete de Assuntos Civis da Autoridade Palestiniana na Faixa de Gaza confirmou o encerramento, exceto para doentes e os moradores de Gaza que retornam ao enclave palestiniano.

Dois palestinianos foram mortos na sexta-feira por tiros de soldados israelitas na Faixa de Gaza durante protestos e confrontos na fronteira, apesar do esforço diplomático para estabelecer um cessar-fogo duradouro.

Israel reabriu na semana passada Kerem Shalom, o único ponto de passagem de mercadorias entre Israel e a Faixa de Gaza, em grande parte fechado desde julho, como um sinal de paz.  
O Egito também anunciou que o ponto de passagem de Rafah será excecionalmente aberto este domingo, em antecipação ao festival do sacrifício para os muçulmanos.

A Faixa de Gaza, um território sem litoral entre Israel, Egito e o mar Mediterrâneo, está submetida a bloqueio pelos israelitas há dez anos. 
A fronteira com o Egito passa a maior parte do tempo fechada. 
Desde 30 de março, os palestinianos protestam na fronteira com Israel contra a ocupação israelita de territórios palestinianos. 
Pelo menos 171 habitantes da Faixa Gaza foram mortos pelas forças de segurança israelitas desde então e, pela primeira vez desde 2014, um soldado de Israel foi morto a 20 de julho. Israel e o grupo extremista palestiniano Hamas já se enfrentaram três guerras desde 2008.