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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Em direto/ Centeno. Aumento de capital da Caixa ainda não tem valor apurado, vai depender de auditoria

CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS

Centeno diz que valor do aumento de capital da Caixa Geral de Depósitos não está fechado. Terá de ser apurado por uma auditoria pedida pela nova gestão. José de Matos propôs 2.000 milhões. Siga aqui.

ATUALIZAÇÕES EM DIRETO

19:48 Ana Suspiro
As últimas respostas do ministro das Finanças.

Mário Centeno assegura que o Estado vai fazer o mesmo para a Caixa que para outros trabalhadores do Estado: a reposição de salários de 2009 e de incentivos e progressões de carreira. É impossível gerir os trabalhadores do Estado sem esses instrumentos, diz.

A propósito do tempo que está a demorar a negociação do plano para a Caixa, Mário Centeno recorda que estamos lidar com instituições europeias da concorrência e da supervisão e com novas entidades da própria CGD, o que requer um grau de coordenação complexo. O ministro das Finanças reconhece ainda que o anúncio feito esta sexta-feira pelo Banco de Portugal que alivia as reservas de capital dos grandes bancos para 2017 “é uma boa notícia” e será considerado também no cálculo do valor do aumento de capital da Caixa.

Esta foi a audição mais curta, até agora. Apenas três horas. O início das férias ajuda a explicar. Também a disciplina imposta pelo presidente da comissão de inquérito, José Matos Correia, tem “encurtado” as audições na comissão da Caixa, em relação a outras que tiveram como objeto a banca A próxima reunião é 7 de setembro. Boa tarde e boas férias se for caso disso.

19:40 Ana Suspiro
Na terceira ronda, as trocas de apartes entre o deputado do PSD, Hugo Soares, e João Galamba, que faz um comentário sobre o desinteresse do PSD em investir num banco público, levam o presidente da comissão a pedir: “Por amor de Deus, Srs deputados, estamos quase a terminar. José Matos Correia pede logo desculpa a sorrir por ter posto em causa a separação de poderes entre o Estado e a Igreja.

19:30 Ana Suspiro
Sobre as remunerações da administração, Centeno justifica: o objetivo é colocar a Caixa como uma entidade que compete no mercado. E diz que a forma mais eficiente do acionista controlar essas remunerações. E garante que há também um compromisso com os trabalhadores da Caixa em matéria de salários.

O ministro das Finanças confirma que a análise e o plano que estão a ser debatidos com as instituições europeias são feitos com informação pública. Tem sido apresentada informação não reservada e não sujeita ao sigilo bancário.

É necessário um nível adicional de refinamento de informação para se definir qual é o nível de capitalização adequado para o plano de negócios que se pretende. Daí a auditoria, anunciada por Mário Centeno.

19:14 Ana Suspiro
As respostas de Mário Centeno na segunda ronda.

O governo tem a expectativa de que a potenciação do aumento de capital da Caixa é um investimento que poderá vir a gerar um retorno acionista para o Estado. Mário Centeno defende que a capitalização também é um investimento que pode vir a gerar dividendos. Aliás essa será uma condição essencial do plano para a Caixa de forma a convencer Bruxelas de que não se trata de uma ajuda de Estado. O aumento de capital também torna o banco mais robusto, coloca a Caixa numa perspetiva concorrencial mais forte que não é apenas nacional. É importante que a Caixa tenha acesso aos mercados.

Nessa medida, o ministro admite que os Cocos (as obrigações convertíveis em capital usadas pelo governo PSD/CDS para capitalizar a Caixa) são uma forma frágil de investimento acionista e recapitalização, embora gerem também remuneração (juros) ao investidor.

18:39 Ana Suspiro
Em resposta ao deputado socialista, João Galamba, Mário Centeno diz que não existe informação de que os desvios no plano de negócios da Caixa Geral de Depósitos tenham sido objeto de discussão nas avaliações da troika à execução do programa de Portugal, e em particular, das medidas previstas para a banca.

18:31 Ana Suspiro
Banco de Portugal alivia exigências de capital da Caixa para 2017

E nem de propósito. Durante a audição de Mário Centeno, o Banco de Portugal acaba de divulgar os novos requisitos de fundos próprios para instituições sistémicas no mercado português que aliviam as exigências de capital dos bancos a partir de 2017 e que vão baixar as necessidades de capital da Caixa Geral de Depósitos.

Esta imposição gradual vai retirar pressão sobre outros bancos “sistémicos” como o BCP, o Novo Banco, o BPI, Santander Totta e o Montepio.

O supervisor adiou a imposição da chamada almofada (buffer) de gestão que exigida aos bancos sistémicos a partir de 2017. A necessidade de constituir essa almofada financeira passa agora para 2018 e no caso da Caixa passa a ser metade do inicialmente previsto, desce de 1% para 0,5%. Este era uma exigência regulatória que obrigava a Caixa a aumentar o capital. Para cumprir a reserva de 100%, que agora só se aplica a partir de 2019, o banco do Estado precisava de mais 600 milhões de euros.

O Banco de Portugal explica que decidiu aplicar um regime de implementação gradual da reserva de fundos próprios para as instituições de importância sistémica, nos seguintes termos: 50% da reserva em 1 de janeiro de 2018 e 100% da reserva em 1 de janeiro de 2019.

“A aplicação de um regime de implementação gradual da reserva visa, primordialmente, assegurar que as condições impostas, nesta matéria, às instituições nacionais estão alinhadas com as aplicadas às suas congéneres europeias que operam em contextos macroeconómicos semelhantes”, refere o BdP em comunicado.

18:21 Ana Suspiro
Quem contratou consultores que trabalham com Domingues? Caixa e Estado não foram

Em resposta a Hugo Soares, Centeno diz que convidou António Domingues para presidir à Caixa Geral de Depósitos no final de março. O então vice-presidente do BPI começou logo a estudar as necessidades de recapitalização da Caixa, admite o ministro, mas assegura que mas não pediu ao gestor que contratasse nenhum consultor. “O Estado não contratou essa assessoria (da consultora Mckinsey e um escritório de advogados) e a Caixa neste momento não contratou essa assessoria”. E quem foi? Centeno diz que não sabe. Mas não desmente que estejam a assessorar o futuro presidente da Caixa.

18:13 Ana Suspiro
Valor do aumento de capital não está apurado. Gestão da Caixa propôs 2.000 milhões

O deputado do PSD volta à questão central deste inquérito. Qual será o aumento de capital do Estado na Caixa Geral de Depósitos? Centeno responde: as necessidades de capital vão ser identificadas por uma auditora que vai ser contratada pela nova administração.

Não sabe quanto é preciso pôr na Caixa? Centeno reafirma que o valor será identificado por essa auditoria. Então não sabe qual é o valor? Esse montante não está apurado. E os quatro mil milhões de euros que saíram nos jornais? O número, responde Centeno, não saiu do Ministério das Finanças e remete para a conferencia de imprensa que deu sobre tema em que não deu valores. .

E qual foi o valor apresentado pela anterior gestão no plano de capital entregue ao BCE em março? Era da ordem dos dois mil milhões de euros, responde Mário Centeno, que pela primeira vez adianta um número sobre as necessidades de capital da Caixa. O presidente José de Matos já tinha sinalizado que era um valor muito aquém dos números que circulavam na imprensa e que apontavam para 4.000 a 5.000 milhões de euros.

18:03 Ana Suspiro
Hugo Soares do PSD quer saber qual foi a responsabilidade de Mário Centeno nas projeções económicas que serviram de base ao plano elaborado pela Caixa em 2012/13. As projeções eram responsabilidade do Banco de Portugal, responde o ministro.

Hugo Soares pergunta a Centeno se teve influencia direta no estudo usado pela Caixa. Em 2012, Mário Centeno confirma que era diretor adjunto do departamento de estudos económicos do Banco de Portugal. A conclusão é óbvia, diz Hugo Soares.

18:00 Ana Suspiro
Miguel Tiago do PCP assinala as limitações do objeto da comissão de inquérito à Caixa e centra as perguntas no passado. Mário Centeno não sabe quanto a Caixa perdeu com o apoio a outros bancos.

O deputado comunista confronta o ministro das Finança com o plano que a Caixa apresentou à Direção Geral da Concorrência, o qual previa que o encaixe financeiro obtido com a venda dos seguros deveria ter sido usado para pagar os Cocos em 2014. Isto não foi cumprido.

17:54 Ana Suspiro
O processo de renovação do conselho de administração começou no final do primeiro trimestre, diz Mário Centeno. A comunicação foi feita à atual gestão quando o governo soube da aceitação dos convites. Foi feito numa reunião com José de Matos no Ministério das Finanças. Centeno não recorda a data, mas admite que terá sido a 13 de abril.

O novo conselho de administração é o adequado ao novo plano de negócios, explica.

17:40 Ana Suspiro
Centeno reafirma desvio na Caixa, mas esclarece que não é um buraco

As perguntas passam para João Almeida do CDS que insiste com Mário Centeno para que explique melhor o que quer dizer quando refere o desvio de 3.000 milhões na Caixa.

O ministro reafirma que se trata de um desvio face a um plano existente (que começou a ser implementado) e a sua execução, um desvio acumulado ao longo do período desde 2013 e até às previsões para 2017. “Não é nada de alarmante e é muito fácil entender”. Centeno explica que quis colocar algum realismo neste plano e defende a “urgência” de introduzir esse realismo no plano de negócios da Caixa.

João Almeida contra-ataca: o desvio de que Centeno fala não é só execução, inclui uma projeção até 2017. O que se sabe é até agora, esse desvio terá sido de 1.500 milhões de euros e resultará da diferença entre o resultado operacional previsto e o alcançado. Este indicador é muito influenciado pelas margens financeiras que, por sua vez, são muito penalizadas por juros baixos.

O deputado do CDS lembra que, para a maioria das pessoas um desvio é um buraco e insiste em saber qual a responsabilidade dos juros baixos, da politica económica, da revisão em baixa do crescimento e das opções de gestão nesse desvio.

O ministro reafirma que o plano (aprovado pelo anterior governo do PSD/CDS) “estava fora dos carris”, mas reconhece que “não é um buraco”. Mário Centeno acredita que a comissão de inquérito vai apurar responsabilidades e sublinha que “nada se ouviu do lado de quem estava a acompanhar esse plano” até ter chegado ao governo.

João Almeida acusa o governo de usar a caixa como “um instrumento na politica de comunicação do governo para desviar as atenções”.

17:29 Ana Suspiro
O deputado do Bloco pergunta Centeno: A Caixa foi subcapitalizada em 2012/13?

A resposta não é fácil, admite Centeno. É preciso voltar ao contexto desses anos. A verdade é que os bancos nos últimos anos viram-se confrontados com uma necessidade muito acrescida de capital, a nível regulatório e por causa do capital consumido na sua atividade. Se o contexto do sistema financeiro teve ou não uma abordagem adequada da sua capitalização, há análises muito variadas, lembra Mário Centeno. A verdade é que a situação da Caixa, nos últimos anos, veio a desembocar na avaliação feita pela administração da Caixa em 2015 que concluiu pela necessidade de mais capital. Não coloca problemas diretos de operação ao banco, mas é uma matéria estratégica.

17:14 Ana Suspiro
Centeno fala em desvio sistemático e constante entre o plano e os resultados da Caixa

As perguntas começam por Moisés Ferreira do Bloco de Esquerda.

O ministro das Finanças admite que a Caixa não era a maior preocupação quando o governo tomou posse. “Havia outras urgências mais urgentes quando o governo tomou posse (final de novembro)”, designadamente o Banif. Centeno assinala que tinha conhecimento das necessidades de capital da Caixa Geral de Depósitos, que explica o desvio muito sistemático e constante em todos os anos desse plano, face ao plano de reestruturação de 2013 e lembra a evolução negativa das taxas de juro.

17:06 Ana Suspiro
Centeno revela os compromissos, mas recusa revelar novo plano de negócios

Centeno elenca os quatro compromissos assumidos para a Caixa:
  1. Os novos gestores estarão focados na atividade bancária. E neste ponto o ministro das Finanças justifica a polémica decisão de rever o estatuto do gestor público, permitindo um aumento das remunerações da administração da Caixa Geral de Depósitos. Os novos estatutos, diz, permitem uma remuneração que “traduz o grau de compromisso dos gestores com o plano de negócio. Os administradores executivos têm por isso uma remuneração mais alta que os não executivos, o que não era garantido pelo anterior modelo. Centeno recorda que por causa das exceções, os gestores podiam optar, e optaram, pela média das últimas três remunerações. “Não se pode dizer que havia um teto salarial. Não havia correspondência entre o salário e as funções desempenhadas. Os gestores eram remunerados pelo que tinham feito no passado e não pelas funções na Caixa”.
  2. Um plano de negócios, que envolve uma reestruturação e uma recapitalização, em relação ao qual Mário Centeno deixa o aviso: “não falarei do plano de negócios nesta comissão”, mas garante que a qualidade do plano será revista por entidades externas independentes e pelas entidades europeias.
  3. Manter a Caixa nas mãos do Estado
  4. Um compromisso com os trabalhadores

16:59 Ana Suspiro
O governo, diz Centeno, tem desenvolvido desde dezembro um esforço para projetar a Caixa para o futuro. Reuniu com a administração atual no dia 2 de dezembro de 2015. Desde esse dia e até abril reunimos oito vezes.

Ao acionista não cabe interferir na gestão, mas desenhar um caminho para o futuro. E o governo “pretende realizar um projeto único na historia da instituição que contribuirá para o papel da Caixa” e se propagará à economia.

16:57 Ana Suspiro
Desvio de 3.000 milhões é entre o resultado alcançado e o previsto no plano de 2013

Mário Centeno faz intervenção inicial.

Lamenta os aproveitamentos e insinuações que vieram a público sobre a sua indisponibilidade imediata para ser ouvido e reafirma a sua disponibilidade. “O governo não alimentará incertezas nem ruídos que temos assistido nos últimos tempos”. Mário Centeno recorda que todos os presentes na sala têm responsabilidade. A Caixa é uma instituição de confiança, poço seguro das poupanças e desempenhou um papel fundamental no período do ajustamento. Mas não passou imune aos problemas económicos.

Centeno recorda o plano de recapitalização realizado em 2013, que levou à injeção de 1.650 milhões de euros no banco do Estado. O ministro refere um desvio significativo no resultado alcançado e face ao perspetivado para o final de 2017. Confirma o valor de 3.000 milhões de euros que explica como diferença entre o plano e a execução.

16:44 Ana Suspiro
O ministro das Finanças acabou de chegar. Esta audição de Mário Centeno será praticamente a última sessão de trabalho no Parlamento antes das férias de Agosto.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

CGD. Carlos Costa explica o desvio enormíssimo de Centeio


COMISSÃO DE INQUÉRITO CGD
Filipe Paiva Cardoso
28.07.2016 / 18:01
O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. Foto: Gustavo Bom / Global Imagens

As projeções presentes no plano elaborado para a CGD para 2013 e 2017 acumulavam um desvio de 1500 milhões até 2015. Centeno projetou valor até 2017 

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, explicou esta tarde aos deputados da comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da Caixa Geral de Depósitos a natureza do “desvio enormíssimo” identificado recentemente por Mário Centeno, ministro das Finanças, no banco público. 

Questionado pelo grupo parlamentar do PSD sobre a validade dos valores avançados pela tutela, o líder do supervisor bancário reportou-se, inicialmente, às respostas dadas ontem nesta mesma comissão por José de Matos. 

O ainda presidente da CGD fez questão de salientar aos deputados ao longo da sua audição na CPI que o “desvio” referido por Centeno refere-se apenas a “diferenças entre os resultados e as perspetivas originais”, que, por vezes, e numa linguagem mais técnica de macroeconomistas, pode chamar-se de ‘desvio’” mas que não implica uma referência a um qualquer buraco desconhecido nas contas. 

Mas o supervisor, hoje, acabou por ir um pouco mais longe, não para explicar a que se refere o termo desvio neste caso, mas sim na forma como o ministro das Finanças chegou aos três mil milhões de euros que divulgou publicamente.

“As condições em que se fez a capitalização não foram as condições que se materializaram”, disse, referindo-se à derrapagem que se verificou entre os cenários externos que foram projetados no plano da CGD para 2013-2017 e os que se têm verificado. 
“A taxa de juro de referência registou uma evolução muito negativa”, deu como exemplo. “O que se esperava ser um resultado positivo virou negativo.” 

Carlos Costa explicou então o porquê dos três mil milhões de euros de Centeno: “O gap acumulado entre 2013 e 2015 foi da ordem dos 1500 milhões de euros, que, projetado até 2017, levaria ao gap dos três mil milhões de euros referidos pelo Sr. Ministro.” 

Carlos Costa retomou de seguida a ideia inicial, que este desvio não indicia “falta de solidez”, garantindo que “tudo está sólido no balanço do banco e não há qualquer insuficiência de capital, é uma mera diferença entre o previsto e o que se tem verificado”.

CPI à CGD. Carlos Pereira, deputado do PS, eleito relator


COMISSÃO DE INQUÉRITO CGD
Filipe Paiva Cardoso
28.07.2016 / 19:48
Governador do Banco de Portugal na AR (Foto: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA)

PSD propôs a deputada Margarida Mano mas os votos da esquerda favoreceram o nome proposto pelos socialistas 

O deputado socialista Carlos Pereira, eleito pelo círculo eleitoral da Madeira, foi nomeado relator da Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, no final da audição de hoje a Carlos Costa. 

Os grupos parlamentares apresentaram apenas duas propostas, concorrendo com o deputado socialista a parlamentar do PSD, Margarida Mano, do círculo eleitoral de Coimbra.

Os votos do partido da esquerda parlamentar acabaram por favorecer a candidatura do deputado socialista, que irá ficar assim a cargo com a tarefa de escrever o relatório com as conclusões sobre os trabalhos da CPI à CGD.

Exigências do Banco de Portugal vão custar 600 milhões à CGD


COMISSÃO DE INQUÉRITO CGD
Filipe Paiva Cardoso
28.07.2016 / 11:20
O presidente da Caixa Geral de Depósitos, José de Matos, na CPI ao banco. (TIAGO PETINGA/LUSA)

José de Matos diz que os quatro mil milhões de que se fala são “claramente superiores” ao cenário com que trabalhava 

As exigências impostas pelo Banco de Portugal à Caixa Geral de Depósitos, a partir de 1 de janeiro de 2017, vão custar 600 milhões de euros, concorrendo para as “elevadas necessidades de capital” que o banco hoje acumula, revelou ontem José de Matos, o ainda presidente do banco público. 
Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal, exigiu o aumento em mais um ponto percentual na reserva de fundos próprios, ao abrigo de um novo enquadramento que visa “atenuar períodos de crescimento excessivo do crédito.” 

O responsável da CGD apontou ontem aos deputados que cada aumento de 1 ponto percentual exigido pelo Banco de Portugal nos rácios do banco público implica um custo de 600 milhões de euros, confirmando assim o noticiado pelo “Dinheiro Vivo” no final de maio. 
No caso do banco público, o BdP exigiu para 1 de janeiro de 2017 o aumento em mais um ponto percentual na reserva de fundos próprios ao abrigo de um novo enquadramento que visa “atenuar períodos de crescimento excessivo do crédito”.

Sem criticar diretamente as opções e as sucessivas revisões das exigências impostas pelo Banco de Portugal, José de Matos não deixou de dedicar a este tema grande parte da sua primeira audição da comissão parlamentar de inquérito à recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à gestão do banco (CPICGD). 
“As necessidades de capital provêm essencialmente de novos requisitos de capital, mas também de diversos fatores externos, que afetaram o desempenho da CGD”, disse aos deputados.
O ambiente de taxas de juro baixas, a limpeza do balanço a que procedeu na Caixa e o débil crescimento económico são outros fatores a pesar no banco e no setor financeiro. 

A urgência de capitalizar a CGD tornou-se evidente no primeiro semestre de 2015, graças a “uma evolução que, particularmente no curto prazo, resultou das referidas exigências regulatórias e foi-se traduzindo em previsões de necessidades de capital progressivamente mais elevadas e mais urgentes”. 
E apesar das medidas de compensação que o banco tomou, nem essas foram suficientes “para satisfazer o reforço muito acentuado das exigências prudenciais”. 

Quatro mil milhões? 

A quantificação da dimensão de fundos que a CGD necessita foi um dos temas que os deputados do PSD mais tentaram apurar junto de José de Matos. 
O CEO do banco procurou não fazer qualquer comentário sobre o mesmo, mas, depois de larga insistência, acabou por admitir que o valor que tem sido veiculado é claramente superior ao que chegou a trabalhar junto do Banco Central Europeu quando debateu a questão. 
“Os valores com que eu trabalhava, no passado, partiam dos mínimos e também de um buffer [almofada] mínimo”, explicou. 

Mas se ainda não é possível calcular ou aferir quanto irá exigir o banco público, há contas que podem já ir sendo feitas. 
Além dos 600 milhões exigidos pelas novas regras do Banco de Portugal, deverão juntar-se 900 milhões em CoCos ainda detidos pela CGD – provavelmente transformados em capital – e um valor ainda não quantificável para a almofada que a nova administração, liderada por António Domingues, deverá exigir. 
Além da injeção que o Estado terá de fazer no banco público e os custos da reestruturação que este enfrentará.

Os futuros cortes a que o banco público vai ser obrigado – seja pelo enquadramento do negócio seja por imposição das autoridades – foi outro dos temas que os deputados quiseram aprofundar. 
E o CEO não poderia ter sido mais claro: “Não há economia para tanta banca neste país. Os bancos vão ter de encolher.” 
José de Matos foi mais longe ao considerar que a CGD errou quando tentou tornar-se um grande banco global, participando em projetos de financiamento em infraestruturas um pouco por todo o mundo. 
“Nem a Caixa nem Portugal têm dimensão para que o banco tivesse uma escala global.” 

E não iludiu ninguém quanto ao que aí vem – a reestruturação que a CGD já tem em curso não só “precisa de ser continuada” como o seu ritmo atual “pode nem chegar”. 
“O que fizemos foi um bom princípio mas vai ter de continuar, provavelmente a um ritmo mais acelerado.” 
E a redução de pessoal vai prosseguir. 
“É impossível reestruturar sem reduzir a dimensão, até por causa das novas gerações, que vão menos aos balcões.”

Caixa. “Valor da recapitalização depende da profundidade da reestruturação”


COMISSÃO DE INQUÉRITO CGD
Filipe Paiva Cardoso
28.07.2016 / 15:49
Carlos Costa, governador do Banco de Portugal. Foto: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Governador elencou os pontos que concorrem para as necessidades de capital da banca. E diz que dimensão da capitalização da CGD depende da ambição 

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, explicou esta tarde que a dimensão da recapitalização a que a Caixa Geral de Depósitos irá recorrer está, em grande medida, “relacionada e dependente” com a estratégia e objetivos definidos para a reestruturação do banco público, assim como com a rapidez que se desejar imprimir ao mesmo. 

O governador do Banco de Portugal está hoje a ser ouvido pelos deputados na Assembleia da República, onde volta a marcar presença numa comissão parlamentar de inquérito, desta feita para falar da Caixa Geral de Depósitos. 

Segundo avançou aos deputados, “o valor de uma recapitalização associada a um plano de reestruturação” depende do ponto de partida da instituição em termos de balanço mas “sobretudo da missão do plano que se quer levar a cabo, tanto em termos de profundidade, de prazos e de rapidez”. 

O supervisor nomeou aos grupos parlamentares presentes na CPI que nos cálculos para apurar eventuais necessidades de capital da Caixa Geral de Depósitos mas também das “demais instituições”, são quatro os fatores a ter em conta. 
“A evolução futura da conta de resultados, nomeadamente o risco de imparidades futuras”, a criação de uma “almofada de capital para fazer face aos cenários mais adversos previstos nos testes de stress” das autoridades ou o facto do setor bancário hoje estar a viver um período em que precisa de “repensar o seu modelo de negócio”. 

Por fim, detalhou, “é também necessário, para todos os bancos, que se repense o modelo de negócio e se avance com reestruturações para responder aos desafios futuros e atingir os níveis de rendibilidade exigidos pelos acionistas”. 
E neste ponto voltou a falar especificamente da recapitalização da CGD. 

“O valor da recapitalização da CGD que tem sido referido no debate público [que vai rondando entre os 5 e os 3 mil milhões] está em grande medida relacionada e dependente deste quarto fator, isto é a estratégia de reestruturação, missão do plano e rapidez do mesmo.”

O supervisor defendeu ainda aos deputados que a dimensão da capitalização da CGD dependerá assim da “ambição” que a gestão e o acionista pretende, não significando, de todo, que a instituição esteja fragilizada. 
Carlos Costa prefere olhar para a operação como a preparação do futuro do banco público.

Privatizar CGD? “Negociadores com a troika defende interesse nacional”


COMISSÃO DE INQUÉRITO CGD
Filipe Paiva Cardoso 
28.07.2016 / 16:05
Carlos Costa, governador do Banco de Portugal. Fotografia: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA


Carlos Costa salienta que "interesse nacional" foi defendido durante negociações com troika que desejava privatizar CGD 

O governador do Banco de Portugal salientou que os responsáveis portugueses que negociaram o programa de ajustamento com os técnicos da troika “souberam manter a sua linha e salvaguardar o interesse nacional” na questão da tentativa de privatização da Caixa Geral de Depósitos (CGD). 

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, volta hoje a marcar presença numa comissão parlamentar de inquérito, desta feita para falar da Caixa Geral de Depósitos. 
A audição do supervisor é a segunda realizada por esta CPI, que ontem ouviu o ainda presidente da instituição. 

A resposta do governador surgiu depois de João Paulo Correia, deputado do PS, ter questionado diretamente se os técnicos da troika, tanto nas negociações para o programa de ajustamento como nas avaliações seguintes, tinham manifestado interesse em privatizar a CGD. 
Sem responder diretamente, Carlos Costa acabou por responder ao deputado. 

“Durante a negociação é natural que surjam ideias mais ou menos afastadas daquilo que é interesse nacional. 
Mas os negociadores souberam manter a linha e salvaguardar o interesse nacional assim como os interesses de países terceiros onde a CGD tinha uma importante quota do sistema financeiro”, respondeu Carlos Costa. 


“Vou depreender que a resposta é ‘Sim'”, reagiu o deputado socialista.

Costa: o elogio à solidez da CGD e a lista de causas passadas e ameaças futuras

COMISSÃO DE INQUÉRITO CGD
Filipe Paiva Cardoso
28.07.2016 / 16:55
O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa. (Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA)

BdP realçou a solidez atual da CGD e elogiou gestão de José de Matos. Avançou também com as causas da capitalização e as ameaças futuras ao banco 

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, aproveitou a sua intervenção inicial na comissão parlamentar de inquérito à CGD, para tornar “a ameaça” que esta iniciativa parlamentar poderia ser “numa oportunidade para esclarecer muito bem a solidez” da instituição. 
A oportunidade serviu também para revisitar as causas das necessidades de capital do banco e o porquê do setor financeiro enfrentar um futuro ameaçador.

O supervisor começou por lembrar aos deputados da CPI que o banco público é o maior do sistema nacional, com 22% de quota nos créditos e mais de 27% do mercado ao nível de depósitos e ativos, tendo, por isso, “uma importância sistémica ímpar”. 

Além disso, apontou o mesmo responsável, “nos seus 140 de história, a CGD tem sido um pilar de confiança e estabilidade, valores que devem ser preservados”, recomendou aos deputados. 
E garantiu: “Este pilar de confiança e estabilidade funcionou plenamente nos últimos seis anos.” 

As causas 

Carlos Costa abordou ainda na sua primeira intervenção na CPI algumas das razões para o banco estatal estar hoje precisado de uma injeção de capital tal como outros bancos também o precisaram nos anos mais recentes – ou ainda precisam. 

Para o governador, a “elevada concentração” da Caixa Geral de Depósitos ao nível do crédito em empresas de construção e promoção imobiliária “tornou o banco mais exposto ao ciclo económico num cenário de recessão”. 
Apesar disso, sublinhou, “a CGD conseguiu sempre acomodar o pior desempenho dos resultados cumprindo sempre com os requisitos prudenciais sem recorrer a novos aumentos de capital”. 

A CGD foi alvo de uma capitalização de 1650 milhões de euros em julho de 2012, 750 milhões dos quais através de um aumento de capital e os restantes 900 milhões através da subscrição pelo Estado de obrigações convertíveis. 
Desde então, e ao contrário de outros bancos, a CGD não mais recorreu a apoios do seu acionista.

Esta operação, porém, acabou por ser considerada como “ajuda de Estado” à luz das regras europeias, com a CGD a ficar então sujeita a um plano de reestruturação, que veio a ser aprovado já em 2013. 
Contudo, “os resultados da CGD no período de 2013 a 2015, ficaram abaixo do inicialmente previsto, o que decorreu em grande medida da evolução da margem financeira, associada a níveis de credito mais baixos e ao reconhecimento adicional de imparidades de credito, resultante também de um cenário macroeconómico mais adverso”. 

Mas nem isso conseguiu abalar a solidez do banco público, explicou Carlos Costa, que elogiou a gestão de José de Matos. 
“Não obstante o cenário macroeconómico e a evolução das taxas de juro terem sido menos favoráveis que o previsto, a CGD conseguiu acomodar este impacto nos rácios sem novos aumentos de capital”, disse o supervisor, aproveitando para fazer o elogio a José de Matos: “É importante fazer justiça a quem geriu a CGD neste período” bastante adverso. 

Desafios 

Carlos Costa apontou também aos deputados que os efeitos e impactos da recessão prolongada e dos crescimentos económicos débeis da União Europeia afetaram a banca em Portugal mas também toda a região, com “repercussões muito negativas nos balanços do sistema bancário” presente nestas geografias, tendo sido esses os fatores que amputaram a capacidade dos bancos em gerar mais (e melhores) resultados. 

“Neste contexto, o grande desafio do sistema bancário europeu e português é conseguir o retorno da rendibilidade para níveis sustentáveis”, num ambiente a que se junta “a persistência das taxas de juro muito baixas” e as fracas perspetivas de recuperação da atividade económica. 

Um outro fator a pressionar o sistema financeiro reside, ironicamente, no aumento das exigências dos supervisores para os rácios da banca, admitiu Carlos Costa. 
“O próprio enquadramento regulatório mudou, impondo novas exigências de rácios que visam dotar os bancos de mais capacidade para o contexto global de risco acrescido”, explicou. 
Ou seja, a proteção contra eventuais riscos é, em si, um risco já materializado.

E ainda… 

Além deste ambiente já por si agressivo, o governador lembrou ainda a alteração de paradigma que o setor vive e vai viver nos próximos anos, fator que concorre igualmente para as necessidades de capitalização das instituições, pois vai obrigar a profundas reestruturações: leia-se transformar um negócio tradicional num dos mais avançados em termos tecnológicos. 

“Todos os bancos estão hoje confrontados com as ameaças decorrentes também do progresso tecnológico e da alteração do modelo de consumo dos produtos financeiras. Estas alterações exigem mudança substancial do modelo de negócio bancário, obrigando a investimentos significativos de adaptação a um contexto completamente diferente.”

CGD. 4,5 mil milhões de perdas nos créditos e 1,9 mil milhões com participações

COMISSÃO DE INQUÉRITO CGD
Filipe Paiva Cardoso
28.07.2016 / 17:25
O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. Fotografia: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA


Nos últimos seis anos, diz Carlos Costa, Caixa Geral de Depósitos registou imparidades totais de 6,6 mil milhões de euros.

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, referiu aos deputados da comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos que o banco público registou nos últimos anos cerca de 6,6 mil milhões de euros em imparidades. 
O responsável do supervisor está hoje a ser ouvido na CPI à recapitalização e gestão da CGD.

Sem querer adiantar detalhes sobre os principais clientes responsáveis pelas perdas e imparidades registadas pela CGD desde 2010, o governador não se coibiu a avançar com números solicitados por Cecília Meireles, deputada do CDS-PP.

Assim, e de acordo com a resposta de Carlos Costa na CPI, a CGD registou nos últimos seis anos imparidades de 6,58 mil milhões de euros, desagregando então que a maioria da verba – 4,5 mil milhões – vieram de créditos e pouco mais de 1,9 mil milhões de perdas reconhecidas com participações financeiras.