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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Carlos Silva: Há “agitadores profissionais” no seio da Autoeuropa

Trabalho
Lusa
29 Janeiro 2018

"Acho que era importante que os trabalhadores ficassem cientes de que ou há estabilidade interna na empresa ou corremos o risco de os alemães perderem a paciência", defendeu o líder da UGT.

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, defendeu hoje que os trabalhadores da Autoeuropa devem ter consciência de que sem “estabilidade interna” existe o risco de “os alemães perderem a paciência”.

“O que é que vai acontecer se as pessoas não meterem juízo na cabeça? 
Acho que era importante que os trabalhadores ficassem cientes de que ou há estabilidade interna na empresa ou corremos o risco de os alemães perderem a paciência“, defendeu Carlos Silva. 
O líder da UGT falava nas jornadas parlamentares do CDS, em Setúbal, num painel com o presidente da Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, sobre “diálogo social para mais investimento”.

“Há muita gente na Europa, em Navarra, na Eslovénia, na Eslováquia, da Croácia, interessada em ter a produção de outros modelos. 
Portanto, isto deve envolver o país, deve envolver os partidos políticos, deve envolver os trabalhadores, mas é preciso que, para os trabalhadores serem envolvidos, deixarem-se envolver”, sustentou. 
Para Carlos Silva, “há uma tentativa de controlar uma comissão de trabalhadores, de controlar uma voz única, um pensamento único dentro da Autoeuropa”.

“Espero que [os trabalhadores] consigam reagir dessa pressão que vem de determinados lados da esquerda radical deste país”, declarou.

António Saraiva: CGTP colocou um vírus na empresa

No mesmo sentido, António Saraiva defendeu que a Autoeuropa é “a prova evidente de que com estabilidade social uma empresa progride e evolui”.

“Tivemos todos estes anos em que a Autoeuropa era dada como um exemplo da virtude do diálogo social e da paz social que se vivia naquela empresa”, defendeu. 
Enaltecendo a “liderança de António Chora” na comissão de trabalhadores, considerando que dava à empresa “uma coesão através do diálogo social”, António Saraiva defendeu que após a sua saída “a CGTP viu ali uma oportunidade, colocando um vírus na empresa”.

Esse “vírus” – uma analogia que António Saraiva já tinha usado publicamente e que reiterou -, “inquinou o diálogo social”, e constitui “uma tentativa de adulterar as comissões de trabalhadores, porque são elas que representam todos os trabalhadores”.
António Saraiva reiterou também que nos últimos dois últimos anos o diálogo social, em geral, tenha “sido mais dificultado porque o Governo tem afastado da discussão de sede própria da concertação aquilo que tem preferido levar ao acordo que tem com a sua esquerda parlamentar”.

As condições que a administração da Autoeuropa impôs aos trabalhadores

Empresas
ECO
12 Dezembro 2017

O novo horário de produção de 17 turnos semanais irá avançar mesmo com a rejeição de dois pré-acordos com a Comissão de Trabalhadores. Esta foi a carta que informou os trabalhadores.

Caros colegas, o ano de 2017 está a terminar e precisamos de preparar o início do novo ano, com a introdução de um modelo de trabalho que seja legal e em linha com o plano já partilhado com todos”. 
Foi assim que a administração da Autoeuropa anunciou o novo horário de produção aos seus trabalhadores.

O novo horário de produção de 17 turnos semanais irá avançar unilateralmente mesmo com a rejeição de dois pré-acordos negociados previamente com a Comissão de Trabalhadores, algo que é apontado como “necessário”. 
“Embora tenham sido expressas muitas opiniões diferentes nas várias reuniões, entendemos que a maioria dos colaboradores está comprometida com o cumprimento do programa de produção do próximo ano. 
Assim é necessário, agora, tomar estas decisões”, pode ler-se na comunicação interna.

Assim, e como apontado nesta comunicação, o novo modelo de trabalho da Autoeuropa inclui:
  • Semanas de 5 dias de trabalho individual;
  • Turno da noite de segunda a sexta-feira, sem folgas rotativas;
  • Turno manhã e turno da tarde: segunda-feira a sábado;
  • Folga fixa ao domingo;
  • Folga rotativa de acordo com calendário individual;
  • Em cada dois meses garantem-se quatro fins de semana completos e mais um período de dois dias consecutivos de folga;
  • Prémio adicional de 100% sobre cada sábado trabalhado (pagamento mensal);
  • Prémio adicional de 25% sobre os sábados trabalhados no trimestre, de acordo com o cumprimento do volume planeado para o trimestre (pagamento trimestral);
  • Pagamento de trabalho extraordinário, equivalente ao pagamento ao sábado, quando o dia de folga for trabalhado
  • Redução das horas semanais trabalháveis para 38 horas (em média aproximada).


A administração aponta ainda que será necessário “qualificar e preparar uma quarta equipa”, que será selecionada através de “processos de vaga interna”. 
“No decorrer da próxima semana será distribuída informação e cartas individuais com a respetiva escala de trabalho aos colaboradores envolvidos neste modelo”, continua ainda.

“É compreensível que pessoas com uma longa história na empresa poderão ter alguns problemas de adaptação aos novos horários e, em relação a estes casos, iremos trabalhar para encontrar soluções sociais que permitam que sejam ultrapassados”, salvaguarda ainda a comunicação. 
“Uma mensagem especial para os novos colegas é que temos a expectativa que cumpram com as condições de contrato que assinaram.”

Na Autoeuropa, há casais que só estão juntos dois fins de semana até julho

Trabalho
Marta Santos Silva
3 Fevereiro 2018

Hoje é o primeiro sábado obrigatório com os novos horários. As folgas não consecutivas, o pouco tempo em família e os turnos rotativos causam desânimo entre os trabalhadores da Autoeuropa.

Este sábado, Ana vai terminar o turno na fábrica da Autoeuropa à meia-noite. 
Segunda-feira, entra ao trabalho às sete da manhã. 
Para esta trabalhadora, no primeiro dia em que a fábrica de Palmela implementa o trabalho obrigatório aos sábados, a situação é particularmente difícil porque o marido também começou a trabalhar nos novos horários e têm um filho de oito anos.


Os novos turnos impostos unilateralmente pela administração da Autoeuropa perante a impossibilidade de chegar a um acordo começaram esta semana, e alguns trabalhadores sublinham o impacto nas suas vidas pessoais e familiares. 
Ao ECO, Ana lamenta: “Afeta-me tudo, desde a escola do miúdo, aos ATLs, até à família…”

As escalas já foram distribuídas até julho. 
Durante seis semanas, os trabalhadores alternam semanalmente entre o turno da manhã, das 7h até às 16h, e o turno da tarde, das 15h às 24h. 
Seguem-se duas semanas a trabalhar à noite, das 00h até às 7h, e depois o ciclo recomeça. 
Além disto, o trabalho ao sábado passa a ser obrigatório, com uma folga rotativa a ser atribuída em vez desse dia. 
Por vezes, essa folga calha no sábado.

No entanto, para Ana, as vezes em que a folga calha no sábado não são suficientes. 
“Há famílias que vão ter dois fins de semana juntas em seis meses”, explicou ao ECO. 
É esse o caso de Ana e do marido, que já sabem quais vão ser os dois fins de semana em que, até julho, poderão estar dois dias em família, com o filho que nas folgas à semana está na escola.




















Em agosto, quando uma versão muito semelhante dos horários impostos fora rejeitada pelos trabalhadores e a Autoeuropa acabava de ver a primeira greve da sua história, uma trabalhadora estimou, ao telefone com o ECO, que houvesse cerca de 300 famílias com filhos em que o pai e a mãe fossem ambos trabalhadores da Autoeuropa. 
Perante este facto, a Segurança Social acabou por intervir, com a possibilidade de abertura extraordinária de creches na zona de Setúbal para cuidar das crianças mais novas caso não houvesse possibilidade de ficarem com um dos familiares.

Ana, por exemplo, não vê hipóteses para o filho de oito anos no caso de o marido ser chamado a trabalhar no mesmo sábado que ela. 
“No dia em que não tiver onde o deixar ao sábado, vou ficar em casa ou chegar mais tarde”, afirmou. 
“Durante a semana, para as noites, temos os meus sogros, mas ao fim de semana quando eles vão embora…”

Mesmo para trabalhadores com situações familiares menos complexas, “o impacto é o normal de qualquer pessoa que não tenha folgas consecutivas”, refere Carlos, ao ECO. Para o trabalhador, os dias soltos de descanso não permitem repousar e, muitas vezes, vão dificultar a transição entre horários diurnos e noturnos em apenas um dia.

Ana referiu também que as folgas rotativas podem tornar o dia de descanso solitário. “Numa folga durante a semana não estou com o meu filho, que está na escola, nem com o meu marido, que está noutro turno”, explicou. 
Uma outra trabalhadora também chamada Ana, a quem chamaremos Ana F., disse ter o mesmo problema com a filha, que já tem 18 anos. 
“Hoje estou em casa”, afirmou esta sexta-feira ao ECO, “mas a minha filha está na faculdade”. 
“Amanhã vou trabalhar, e depois só tenho o domingo de folga. 
Torna-se complicado o convívio…”

E o ambiente na fábrica de Palmela? 
Para Ana F., está “muito mau”. 
“As pessoas estão desmotivadas”, explica. 
“A Comissão de Trabalhadores está desacreditada. 
Quem lá está agora, antes defendia que não deveríamos ter de trabalhar os sábados obrigatórios”.

Este tipo de horário é normal?

Questionado sobre as queixas apresentadas pelos trabalhadores perante os novos horários, Eduardo Florindo, do sindicato Site-Sul, afeto à CGTP, evita a questão. 
“Críticas há sempre”, confessa. 
“O trabalho de segunda a sábado devia ter sido evitado. 
Mas agora está aprovado, e há que tentar que os trabalhadores tenham melhores compensações”.

Os aumentos salariais estão a ser negociados nesta altura pela Comissão de Trabalhadores liderada por Fernando Gonçalves, que realizou plenários com os trabalhadores esta quinta-feira para lhes dar conta do ponto de situação. 
A Comissão pede aumentos de 6,5%, num mínimo de 50 euros, em 2018, enquanto a administração tem como contraproposta um aumento de 3% em 2018 e de 2% em 2019. Este aumento salarial, destacou Carlos ao ECO, devia já ter sido acordado em setembro. “Daqui a nada estamos em setembro outra vez”, acrescentou.

No contexto europeu, os novos horários na Autoeuropa não são inéditos. 
Georg Leutert, sindicalista do IndustriAll, Global Union [sindicato global], explicou que não é um horário “normal”, mas também não é invulgar. 
“Há muitos casos em que os empregadores tentam utilizar o máximo da força de trabalho, e arranjam modelos de 17 ou 21 turnos”, afirmou o especialista do setor fabril automóvel ao ECO. 
“As empresas dizem que é a sua única hipótese de permanecerem competitivas”.




















Na Volkswagen em Palmela, os novos turnos surgiram devido ao novo modelo, o T-Roc, que lá está a ser construído. 
A fabricante de automóveis alemã quer que sejam produzidos 240 mil T-Rocs este ano na Autoeuropa, o que levou à aplicação dos novos horários apesar de não haver acordo com a Comissão de Trabalhadores. 
Para Georg Leutert, isso é “muito invulgar”, já que a Volkswagen costuma procurar o acordo dos seus trabalhadores em mudanças do género.

O horário até agosto é transitório, mantendo-se apenas até à pausa anual da fábrica. 
De agosto em diante, os pormenores dos horários e dos turnos ainda estão a ser negociados, mas a administração pretende ter um modelo de laboração contínua com trabalho inclusive ao sábado.

“Não vejo nenhumas fábricas, não há uma única fábrica na Europa Ocidental, que lide com um novo volume de produção ou um novo produto sem que os sindicatos ou comissões de trabalhadores tenham de fazer concessões”, concluiu Georg Leutert.

Vem aí greve?

Apesar de os trabalhadores terem aprovado em plenário a realização de uma greve nos dias 2 e 3 de fevereiro, esta acabou por não se concretizar, porque os sindicatos decidiram não entregar pré-aviso. 
Porquê? 

Para Ana F., que seria a favor de uma greve, a leitura foi outra. 
“Pareceu-nos que os sindicatos estão do lado da administração e não dos trabalhadores. 
O interesse único da administração é o da laboração contínua, e fazer carros. 
E pronto”, disse.

Carlos, no entanto, considera que uma greve seria inoportuna. 
“Fazermos uma greve, neste preciso momento, era mau. 
Há um acordo para fazer para depois de agosto”, disse. 
“Agosto está aí à porta”.

Aumenta tensão na Autoeuropa: estão “desorientados” e sem “boas maneiras”

ECONOMIA
7 de fevereirode 2018, às 15:54






















Comissão de Trabalhadores está "desorientada" e não legitimada, acusa UGT; CGTP tem de parar de interferir na Autoeuropa, soma Silva Peneda. 
O conflito estala na fábrica de Palmela.

A Autoeuropa é cada vez mais palco de tensões, e esta semana, com as negociações de aumentos salariais a decorrer, torna-se campo de batalha entre a UGT, Comissão de Trabalhadores e CGTP. 
Até o ex-ministro do Trabalho Silva Peneda já veio a terreiro. 
Trocam-se farpas e uns querem contornar os outros para tentar alcançar um acordo que satisfaça as necessidades dos trabalhadores e para ganhar poder na fábrica. 
Entretanto um abaixo-assinado circula para demitir a atual Comissão de Trabalhadores, que ainda está a analisar toda a situação.

Da esquerda para a direita, Carlos Silva, dirigente da central sindical UGT, Fernando Gonçalves, presidente da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, Silva Peneda, ex-ministro do Trabalho, e Arménio Carlos, dirigente da central sindical CGTP.Imagens: Paula Nunes/ECO, e Lusa. Fotomontagem: Ana Raquel Moreira.

O Sindel, sindicato afeto à UGT ligado ao setor da indústria, quer apresentar um acordo de empresa à Autoeuropa contornando a Comissão de Trabalhadores (CT), liderada por Fernando Gonçalves. 
“Aquilo que neste momento se retira de toda esta situação”, disse ao ECO o dirigente sindical Alberto Vale, “é que a CT está ali num impasse, não sabem muito bem o que estão a fazer, acabam por estar desorientados porque não sabem como ultrapassar este momento”.

A UGT quer apresentar um acordo de empresa à administração da Autoeuropa, sem passar pela Comissão de Trabalhadores eleita pelos funcionários da empresa da Volkswagen, porque esta “não tem legitimidade” para apresentar um acordo do tipo, afirmou Alberto Vale. 
“Não têm legitimidade nem têm o apoio dos trabalhadores, acabam por não ter o apoio dos sindicatos, porque a ideia que transmitiram às pessoas é que não sabem o que estão a fazer. 
Por isso obviamente entendemos apresentar uma proposta”, acrescentou.

O Sindel não é o único ator a pôr em causa o apoio dos trabalhadores à Comissão que elegeram. 
O Diário de Notícias escreve esta quarta-feira que um abaixo-assinado que circula na fábrica de Palmela, a pedir a demissão da CT, já reuniu “200 a 300” assinaturas entre os 5.700 trabalhadores da fábrica. 
Trabalhadores que falaram ao ECO expressaram a sua desilusão com o trabalho desse grupo de representantes nas negociações junto da administração. 
O ECO entrou em contacto com a Comissão de Trabalhadores que preferiu, para já, não comentar a situação, afirmando estar a analisar os fatores em jogo.

Alberto Vale, representante do Sindel, explicou que a UGT vai pedir uma reunião à administração da Autoeuropa para avaliar a abertura da empresa para analisar um acordo proposto diretamente pelo sindicato. 
Segunda-feira, o líder da UGT Carlos Silva anunciou a intenção de se dirigir à administração da Autoeuropa. 
“O nosso sindicato [Sindel] irá apresentar uma proposta de acordo de empresa à Autoeuropa, cabe agora à administração dizer ‘não queremos’ e se não quiser está, naturalmente, a ferir de morte o que é o princípio da negociação coletiva no nosso país”, anunciou à saída de uma audiência com o Presidente da República.

Sobre a Comissão de Trabalhadores poder realizar este tipo de acordo, o dirigente sindical Alberto Vale sublinhou que “não tem legitimidade para subscrever acordos de empresa”. Isto porque, conforme o ECO confirmou junto da Direção Geral do Emprego e das Condições de Trabalho, as Comissões de Trabalhadores são constituídas e ganham personalidade jurídica ao serem publicadas no Boletim do Trabalho e do Emprego, mas não podem negociar acordos de empresa, com legitimidade jurídica. 
Podem apenas negociar acordos laborais, uma fórmula informal, que é o que tem sido feito, inclusive com a Comissão de Trabalhadores histórica que foi liderada por António Chora.

“Obviamente que a empresa tem legitimidade para dizer que não querem negociar um acordo de empresa com um sindicato. 
Obviamente que ao fazer isso estará a ir contra a legislação de negociação coletiva”, afirmou Alberto Vale. 
Isto porque a legislação laboral portuguesa prevê que as negociações laborais decorram com os sindicatos. 
Nas empresas do grupo Volkswagen, incluindo na Autoeuropa situada em Palmela, a tradição é habitualmente que a administração se concerte diretamente com os trabalhadores através das comissões eleitas.

As negociações entre a Comissão de Trabalhadores e a administração já duram há vários meses. 
Neste momento, , negoceia-se o aumento salarial na empresa para os anos de 2018 e 2019, com a CT a exigir um aumento de 6,5% com um mínimo de 50 euros, e a administração a contrapropor um aumento de 3% este ano e de 2% no próximo.

Fonte oficial da administração da Autoeuropa não respondeu diretamente à questão sobre se negociaria um acordo de empresa com a UGT e o Sindel, mas disse estar sempre aberta a reunir com os sindicatos. 
“Nós já reunimos e temos reunido com frequência com todas as estruturas sindicais, tanto afetas à CGTP como à UGT”, afirmou, referindo no entanto que ainda não teria sido recebido um pedido de reunião da UGT.

Questionado pelo ECO, o dirigente do sindicato Site-Sul, afeto à CGTP, Eduardo Florindo, preferiu não comentar, “neste momento”, a iniciativa do Sindel.

Silva Peneda choca com CGTP sobre Autoeuropa

O antigo ministro do Trabalho de Cavaco Silva, Silva Peneda, lançou duras críticas à central sindical CGTP, cujos sindicatos estão entre os que agem junto da Autoeuropa, pelo seu trabalho na fábrica de Palmela. 
Num artigo de opinião publicado no Jornal de Notícias que está estruturado como uma “carta aberta” dirigida aos restantes “parceiros sociais”, Silva Peneda pede que “todos os parceiros sociais” tomem “uma posição clara sobre a postura da CGTP no processo da Autoeuropa”.

Para o ex-ministro, a CGTP “descobriu agora a Autoeuropa como palco para a sua investida”. 
Silva Peneda afirma: “A estratégia dos comunistas para a Autoeuropa é que esta feche as portas e se desloque para outras paragens. 
Aí o PCP cantará vitória e como sempre serão vitórias ‘conquistadas’ à custa de milhares de trabalhadores que ficarão no desemprego e a Península de Setúbal voltará a viver os tempos de fome da década de 80, mas aí o PCP e a CGTP estarão no seu terreno favorito a desfraldar as bandeiras negras, nunca assumindo culpas, mas remetendo-as para os vícios do capitalismo”.

A CGTP reagiu com um comunicado em que considera “inaceitáveis e intoleráveis estas dissertações ofensivas, insultuosas e reacionárias de Silva Peneda”, afirmando que o ex-ministro “dá voz aos interesses da direita”. 
Reagindo à crítica de que a CGTP não se interessa pela concertação, a central sindical refuta: “A CGTP-IN esteve, está e estará disponível para compromissos, que cumpriu, cumpre e cumprirá, porque garantem e melhoram os direitos dos trabalhadores! 
A prova disso são os acordos subscritos pela CGTP-IN na concertação social que outros não cumpriram, nomeadamente, sobre Formação Profissional e Salário Mínimo Nacional”.

Termina acrescentando: “Dispensamos os ‘ensinamentos’ e as ‘boas maneiras’ sobre como intervir na Autoeuropa, na Gramax, na Ricon ou em qualquer outra empresa ou sector, onde os direitos dos trabalhadores são postos em causa”