terça-feira, 12 de julho de 2016

Crise em Itália. Investidores fogem do risco e já cheira a 2008

Futuro da Banca
Filipe Paiva Cardoso
07.07.2016 / 00:10
Matteo Renzi primeiro-ministro italiano (Foto: REUTERS/Tony Gentile)

Banca italiana ameaça gerar nova crise financeira na Europa. Taxas de juro alemãs batem mínimos; as italianas sobem.

Com 360 mil milhões de euros em ativos tóxicos, a crise da banca italiana, agravada pelo impacto do brexit na economia europeia, está agora no centro das preocupações dos investidores. 
As ações dos bancos foram ao fundo. Lorenzo Bini, chairman do Société Générale, e Lorenzo Codogno, ex-diretor-geral do Tesouro Italiano, vieram já a público alertar que a situação acarreta o risco de catalisar uma nova crise na Europa, cujo sistema financeiro está não só fragilizado mas excessivamente interligado. 

O risco de contágio a toda a UE, desde logo ao gigante alemão Deutsche Bank, já está, aliás, a abalar o mercado de dívida pública – os juros alemães, franceses e holandeses bateram ontem níveis historicamente baixos, enquanto as taxas da dívida italiana subiram, sinal de que os investidores, face à incerteza, estão a fugir dos ativos de maior risco. “Há cada vez mais paralelismos com a crise de 2008”, explica a Bloomberg. 

“O valor de mercado dos bancos europeus tem vindo a descer desde há um ano, quando se tornaram claras as necessidades de capital”, diz João Queiroz, diretor de negociação do Banco Carregosa, ao Dinheiro Vivo. 
“Com a estagnação do crescimento, o aumento dos créditos em risco (…) e com os juros em mínimos é difícil imaginar um cenário mais adverso”, acrescenta. 
E o caso italiano só trouxe mais pressões sobre um sistema já no limite. 
“A situação da banca em Itália já tem vindo a contribuir para este cenário e os prémios de risco da banca dos países periféricos refletem esses efeitos. 
À medida que a situação se for agravando, maior será o risco da periferia.” 

Caso italiano e o elefante alemão 

Mas além da periferia, há ainda o elefante na sala, lembra o analista. 
“Hoje [ontem] as ações do Deutsche Bank voltaram a bater mínimos históricos. 
Tendo o Deutsche ativos que equivalem a 1/3 do PIB alemão, não é nada bom sinal quando o mercado lhe atribui um valor de apenas 18 mil milhões. 
É até bastante assustador.” 

Em Itália não se discute apenas o avanço de uma recapitalização para a banca, mas também o possível ignorar de regras europeias por parte do governo para forçar a recapitalização, avaliada em pelo menos 40 a 50 mil milhões. 
Matteo Renzi quer evitar as normas da União Bancária que obrigam à partilha de perdas com os privados. 
Mas ignorar estas regras será um novo golpe na credibilidade do projeto europeu e acarreta tantos riscos como o oposto. 

“Numa altura de extrema sensibilidade e instabilidade política coincidente com o brexit, o governo italiano parece estar a desafiar as regras da Comissão Europeia no que respeita a ‘deficiente’ construção da União Bancária, obrigando-a a tomar decisões que vão ter implicações determinantes para o futuro”, detalha a equipa de research do BiG, ao Dinheiro Vivo. 
Este ignorar de regras é um pau de dois bicos: “Caso Bruxelas decida quebrar as regras de resgates à banca que entraram em vigor este ano, deixando o Estado italiano participar no resgate (…), isso poderia aliviar o stress sobre os bancos, mas iria enfraquecer a credibilidade nas regras e o tecido político de Bruxelas, exacerbando o discurso anti-bancos e reforçando as forças mais radicais.” 
Mas o caso fica pior, pois não quebrar as regras pode ser tão ou mais perigoso. 

“Caso a UE não deixe quebrar (…) poderá haver consequências imprevisíveis e graves seja a nível financeiro, seja político – forçando perdas a acionistas, credores e depositantes, o que poderá gerar um evento de risco sistémico tendo em conta a magnitude do nível de recapitalização” em preparação em Itália. 
E neste impacto sistémico voltamos a encontrar o elefante alemão. 
“Este será o ‘último muro’ até aos riscos/incerteza que pairam sobre o nível de capitalização dos maiores bancos europeus – por exemplo o Deutsche Bank – , o que poderia equivaler a uma espécie de momento ‘Lehman’ para todo o sector financeiro Europeu”, concluem. 

Este pau de dois bicos é também identificado por António Duarte. 
“Seja qual for o plano de recapitalização, os esforços que vão ser feitos vão contaminar toda a indústria financeira que, no curto prazo, tem um impacto negativo”, diz o gestor da XTB, que vê no caso italiano “um conflito de interesses entre a União Bancária e o governo, em que no meio está a proteção de credores”. 

Portugal: Nacionalize-se? 

A dívida portuguesa tem passado ao lado das oscilações nos juros apesar de toda a incerteza, algo que para António Duarte se deve “ao plano de compra de ativos do BCE”, que ainda protege os títulos de variações significativas. 
Porém, também a banca portuguesa está perto do limite, ao ponto de João Queiroz considerar que a salvação já não passa pelo banco para o malparado. 

“No ponto em que se encontra a banca portuguesa, as únicas formas de capitalizar a banca pública é injetar dinheiro público ou privatizá-la. 
Para a banca privada resta a intervenção direta do Estado, com a consequente nacionalização. 
Por muito drástico que este discurso pareça, não acho que seja irrealista”, diz João Queiroz.






















Deutsche Bank. Uma situação “assustadora” de “alertas já indisfarçáveis”

BANCA
Filipe Paiva Cardoso
07.07.2016 / 14:55




















"Algo que nos deixa ainda mais preocupados é o contágio a toda a banca", alerta João Queiroz. O Deutsche é dos bancos com mais ramificações globais.

Com as ações em mínimos históricos e os custos para contratar seguros contra o risco do crédito (CDS) das obrigações do Deutsche Bank a valores mais altos que os registados em 2008, aquando do colapso do Lehman Brothers, a situação crítica do gigante alemão está cada vez mais difícil de ignorar. 

“A situação do Deutsche Bank já fez tocar muitas campainhas, os sinais de alerta já são indisfarçáveis”, diz João Queiroz, Diretor de Negociação do Banco Carregosa, em declarações ao “Dinheiro Vivo”. 
E concretiza: “As ações do DB estão em mínimos históricos, a dívida subordinada e a dívida perpétua estão a corrigir abaixo dos 100% e os CDS (seguros para fazer face ao incumprimento da dívida) estão a valores mais altos do que em setembro de 2008, o mês da falência da Lehman.”

Se no início deste ano o custo de contratar um seguro contra o risco do Deutsche rondava os 180 euros, hoje os CDS contra a dívida a cinco anos do banco alemão já estavam perto dos 480 euros. 
Se alargamos o período da análise, a subida no custo para estar protegido dos títulos é ainda mais elevada.

“Os investidores têm que pagar um preço muito elevado para poderem cobrir o risco de crédito das obrigações do DB. 
Os CDS da dívida sénior, a 5 anos, do DB vêm dos 60 (de fevereiro do ano passado) para 247 pontos de hoje. 
A 30 de setembro de 2008, os CDS para este tipo de dívida foram aos 158. 
É um sinal alarmante do risco de crédito que os investidores atribuem em DB”, detalha João Queiroz.























CDS divida subordinada a 5 anos do Deutsche Bank

Chumbo no teste de stress aumentou alarmes 

Com um governo que tem fugido às questões sobre as crescentes dificuldades e pressões sobre o Deutsche Bank, tem cabido às principais entidades financeiras mundiais tentar chamar a atenção para o risco sistémico que o colosso alemão faz pender sobre toda a economia mundial. 

O Fundo Monetário Internacional alertou a 30 de junho que o Deutsche Bank apresenta o maior risco para a estabilidade financeira mundial, na última atualização ao Financial Sector Assessment Program, documento onde pede ao governo alemão que confirme ter todas as ferramentas para lidar com uma resolução bancária. 

No mesmo dia, a Reserva Federal divulgou que as subsidiárias norte-americanas do Deutsche Bank e do Santander chumbaram no teste anual de stress daquela autoridade, devido a falhas nos planos de capital e de gestão de risco. 
E este terá sido um dos catalisadores de nova fuga de investidores do banco alemão. 
Até porque no final do mês serão conhecidos os resultados dos testes de stress na Europa.

“A verdade é que os investidores estão a desfazer-se rapidamente dos papéis do Deutsche Bank, o maior banco da Alemanha e um dos maiores da Europa. 
Os ativos do Deutsche Bank são quase metade do PIB alemão. 
Os sinais alarmantes agudizaram-se desde que o banco falhou os testes de pressão (testes de stress) dos EUA e à medida que se aproxima a data em que terá que se adequar aos novos rácios de capital, exigidos para os bancos europeus”, comenta João Queiroz ao Dinheiro Vivo. 

“Algo que nos deixa ainda mais preocupados é o poder de contágio a toda a banca europeia e não só: o DB é, dos bancos universais, aquele que mais tem relações com outras instituições de crédito”, conclui o Diretor de Negociação do Banco Carregosa. 

Ontem, o mesmo responsável do Carregosa, e em declarações ao Dinheiro Vivo sobre a situação italiana, já tinha apontado como “bastante assustador” o facto de o mercado atualmente atribuir ao Deutsche Bank uma capitalização bolsista a rondar os 17 mil milhões de euros, quando a instituição detém mais de 1,6 biliões em ativos.

Itália, Alemanha, as regras e os contágios 

Ontem, e em declarações sobre a situação da banca italiana, a equipa de research do BiG alertou para o impacto que a recapitalização dos bancos transalpinos pode ter no restante sistema financeiro, em declarações ao “Dinheiro Vivo”. 

Há, neste momento, duas opções em cima da mesa em relação à Itália e ambas acarretam riscos de dimensões difíceis de prever. 
Por um lado, Matteo Renzi pode furar as regras europeias e avançar com a recapitalização da banca sem impor perdas aos credores privados. 
Uma decisão deste género poderia aliviar o stress sobre a banca mas representaria mais um golpe à credibilidade do projeto europeu. 

“Caso Bruxelas decida quebrar as regras de resgates à banca que entraram em vigor este ano, deixando o Estado italiano participar no resgate (…), isso poderia aliviar o stress sobre os bancos, mas iria enfraquecer a credibilidade nas regras e o tecido político de Bruxelas, exacerbando o discurso anti-bancos e reforçando as forças mais radicais”, apontou o BiG. 

Mas se Bruxelas forçar a imposição de perdas nos bancos italianos a troco de recapitalização, a situação pode tornar-se igualmente perigosa: “Caso a UE não deixe quebrar (…) poderá haver consequências imprevisíveis e graves seja a nível financeiro, seja político – forçando perdas a acionistas, credores e depositantes, o que poderá gerar um evento de risco sistémico tendo em conta a magnitude do nível de recapitalização” em preparação em Itália. 
E neste impacto sistémico voltamos a encontrar o Deutsche Bank.
“Este será o ‘último muro’ até aos riscos/incerteza que pairam sobre o nível de capitalização dos maiores bancos europeus – por exemplo o Deutsche Bank – , o que poderia equivaler a uma espécie de momento ‘Lehman’ para todo o sector financeiro Europeu”, apontou a equipa de research do BiG ao Dinheiro Vivo.

Deutsche Bank e Santander falham testes de ‘stress’ norte-americanos

TESTES DE STRESS
Dinheiro Vivo/Lusa
30.06.2016 / 10:53





















Subsidiárias norte-americanas do banco alemão e do espanhol chumbaram no teste anual de stress, devido a falhas nos planos de capital e gestão

As subsidiárias norte-americanas do banco alemão Deutsche Bank e do espanhol Santander chumbaram no teste anual de stress da Reserva Federal (Fed), devido a falhas nos planos de capital e gestão de risco. 

O Santander Holdings USA falhou a avaliação do banco central americano pela terceira vez consecutiva e o Deutsche Bank Trust Corporation pelo segundo ano. 
Por outro lado, o Fed deu uma aprovação condicionada à remuneração acionista do Morgan Stanley e aprovou os planos de distribuição de capital de outras 30 instituições financeiras. 

Na semana passada, o Fed anunciou que os 33 bancos considerados sistémicos para o sistema financeiro, ou seja “demasiado grandes para falir”, tinham passado nos aspetos quantitativos do teste de ‘stress’, o que significa que considerou que tinham capital suficiente para aguentar um grande choque económico, como uma recessão grave. 

No entanto, o Fed disse hoje que detetou, nos resultados finais do teste, falhas significativas no que respeita aos aspetos “qualitativos” de retorno de capital aos acionistas propostos pelo Santander e pelo Deutsche Bank, considerando que se baseavam em pressupostos que “não eram razoáveis nem apropriados”. 

A consequência imediata desta decisão é bloquear qualquer tipo de distribuição de capital dos dois bancos. 

O Morgan Stanley pode faze-lo, mas terá de resolver as falhas identificadas num período de seis meses. 
Se não conseguir cumprir as recomendações neste prazo, o Fed pode bloquear distribuições adicionais. 

O Fed considerou que o facto de a grande maioria das instituições ter recebido aprovação mostra as vantagens dos requisitos de capital impostos pelo banco central americano desde a crise financeira de 2008.

FMI: Deutsche Bank é o maior risco mundial para a estabilidade -

DEUTSCHE BANK
Filipe Paiva Cardoso
30.06.2016 / 11:37





















FMI recomenda às autoridades alemães que examinam os planos de resolução para os bancos de forma a garantir que estes estão devidamente operacionais

O alemão Deutsche Bank é a instituição financeira que atualmente mais riscos coloca sobre a estabilidade mundial enquanto fonte potencial de choques externos, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI) num relatório publicado esta quarta-feira à noite. 

“Entre os bancos globais de importância sistémica [G-SIB], o Deutsche Bank aparenta ser o maior contribuinte líquido para riscos sistémicos, logo seguido do HSBC e do Credit Suisse”, refere o FMI no relatório Financial Sector Assessment Program, ontem atualizado. 

“A importância relativa do Deutsche Bank realça a importância da gestão de risco, da intensa supervisão dos G-SIB e da monitorização apertada das exposições transfronteiriças, assim como da urgência em completar os novos regimes de resolução”, aponta o FMI. 

As conclusões do FMI surgiram quase em simultâneo à divulgação por parte da Reserva Federal de que as unidades norte-americanas deste banco alemão e do espanhol Santander chumbaram nos testes de stress daquele país, tendo sido os únicos em 33 entidades a chumbar.

Mas além do Deutsche Bank, o FMI alerta para todo o sistema bancário alemão, francês, britânico e norte-americano: “Alemanha, França, Reino Unido e os EUA apresentam o maior risco de contágio dada a percentagem de perdas de capital que podem infligir em outros sistemas bancários.” 
A análise do FMI destaca que apesar dos riscos de contágio interno destes sistemas estarem controlados, estes acabam por apresentar um maior potencial para contágios externos. 

O FMI conclui recomendando às autoridades alemães que reexaminem todos os planos de resolução para os bancos de forma a garantir que estes já estão devidamente operacionalizados, incluindo a capacidade para avaliar em tempo útil os ativos eventualmente transferidos em contexto de resolução. 

Ontem, o ministro das Finanças alemão foi confrontado com os riscos crescentes sobre o Deutsche Bank, tendo evitado a pergunta ao “ameaçar” Portugal com um novo resgate na resposta sobre o banco alemão. 
Já o Deutsche Bank, contactado pelo “Wall Street Journal“, recusou fazer comentários às conclusões do FMI.

























As ligações (e como se espalhou o risco sistémico) entre as maiores instituições financeiras mundiais. Fonte: FMI

Risco sistémico. Seguro sobre dívida do Deutsche Bank acima do subprime

Alemanha
Filipe Paiva Cardoso
07.07.2016 / 13:29





















Banco alemão desvaloriza quase 50% desde o início do ano, chumbou nos testes de 'stress' dos EUA e foi apontado pelo FMI como o maior risco global

O custo de contratar um seguro contra a dívida a cinco anos do Deutsche Bank está acima dos registados em 2008, aquando do colapso financeiro global provocado pela crise do subprime, espoletada pela queda do Lehman Brothers. 
Se no início deste ano o custo de contratar um seguro rondava os 180 euros, hoje os CDS contra a dívida a cinco anos do banco alemão já estavam perto dos 480 euros. 

De acordo com o Fundo Monetário Internacional, o Deutsche Bank é hoje o maior risco para a estabilidade financeira mundial. 
“Entre os bancos globais de importância sistémica [G-SIB], o Deutsche Bank aparenta ser o maior contribuinte líquido para riscos sistémicos, logo seguido do HSBC e do Credit Suisse”, lê-se no relatório Financial Sector Assessment Program, atualizado a 30 de junho, onde o FMI recomendou ao governo alemão para verificar se todas as ferramentas para lidar com uma resolução bancária estão devidamente operacionais. 

Além do FMI, também a norte-americana Reserva Federal manifestou recentemente preocupações face ao colosso financeiro alemão, depois da sucursal deste nos Estados Unidos ter falhado os testes de stress daquele regulador – tal como o Santander, aliás. 

As autoridades alemãs, contudo, têm optado por ignorar as crescentes preocupações face ao Deutsche Bank, com Wolfgang Schaüble a desviar recorrentemente todas as perguntas que lhe são colocadas sobre a instituição – na última ocasião, e perguntado sobre o banco alemão, o ministro de Merkel respondeu com… o segundo resgate a Portugal. 

No último ano, a cotação do Deutsche Bank caiu quase 60%, quebra que se acentuou especialmente com a entrada no novo ano, com o gigante alemão a desvalorizar 49,4% desde janeiro, e acelerou com o “Brexit”. 
O Deutsche apresenta agora uma capitalização bolsista a rondar os 17 mil milhões de euros, isto num banco com mais de 1,6 biliões de ativos.

Além do ‘Brexit’, a incerteza que se vive no setor bancário europeu – afogado entre os crescimentos anémicos, níveis recorde de malparado e taxas de juro nulas – está em níveis máximos à conta da falta de soluções para os problemas italianos, cujos bancos necessitam de uma recapitalização de 40 mil milhões que, graças às novas regras da União Bancária, só podem avançar com a imposição de perdas aos credores privados. 

O governo de Matteo Renzi procura avançar com a injeção pública aos bancos sem impor perdas a estes credores, até porque muitos destes serão outras instituições de crédito europeias e mundiais. 
O Deutsche Bank, por exemplo, pode sofrer perdas com a recapitalização italiana, algo que poderia desencadear um evento à escala global de ramificações a impactos completamente imprevisíveis.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Por que a NATO continua a ser um parceiro mais confiável para a Finlândia do que na Rússia

OPINIÃO
08 de julho de 2016 de Mika Aaltola

A Rússia ainda enfrenta uma tarefa difícil em convencer Finlândia que os seus objectivos e interesses mudaram dramaticamente desde o período da Guerra Fria. Qualquer política externa russa para com a Finlândia terá que manter em mente os interesses de segurança abrangentes do vizinho.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, à esquerda, e o presidente da Finlândia, Sauli Niinistö, durante uma conferência de imprensa conjunta na residência de verão presidencial Kultaranta em Naantali, Finlândia, em 1 de Julho de 2016. 

Em 1º de julho, quando o presidente russo  Vladimir Putin visitou a Finlândia antes da cimeira de Varsóvia da NATO, todas as velhas estratégias da Guerra Fria e táticas foram cheias no visor.
Ele recomenda fortemente que a Finlândia tome uma posição neutra entre a Rússia e o Ocidente.
Ele insinuou Brexit como um modelo para a Finlândia a seguir.
E, finalmente, deu boas-vindas a Finlândia, que reconhece as preferências russos como seus próprios interesses centrais.

Muito provavelmente, essas exigências não podem ser cumpridas por Helsinki, nem está a Finlândia propensa a aderir à NATO no futuro próximo.
Para entender o porquê, é necessário dar um passo atrás e entender como a relação entre a Rússia e a Finlândia evoluíram nas décadas que antecederam o colapso da União Soviética.

A política soviética de "finlandização"

Durante a Guerra Fria, a União Soviética usou cimeiras com a Finlândia para explorar a utilidade estratégica percebida da nação, especialmente quando se tratava de atingir objetivos geopolíticos da União Soviética.
Na primeira, a Finlândia foi usada para pintar uma imagem acolhedora dos bons frutos de co-existência pacífica com a União Soviética.
Esta política mostruária Soviética permitiu Finlândia para manter a sua autonomia política interna.

Mais tarde, essa mesma política foi dado um mau nome: "finlandização."
Esta política, no entanto, não era sobre a Finlândia.
Foi pensada para dar um bom exemplo para os países da Europa Ocidental a seguir e se libertar das instituições ocidentais.

Durante o final dos anos 1970 e 1980, quando o modelo finlandês de partida para encontrar tração surpreendendo na Europa Oriental, a União Soviética mudaram sua abordagem e começaram a exigir concessões militares e políticas da Finlândia.
Felizmente para a Finlândia, a União Soviética entrou em colapso.

Este é um lembrete de que, para a Rússia, Finlândia não existe em um vácuo.
Políticas para não constituem uma função de uma relação especial com o país.
A Rússia tem objetivos mais amplos, mais estratégicos.
No entanto, os anos da Guerra Fria acabaram.

Os interesses da Rússia e finlandeses na região nórdica-Báltica

A relação da Rússia é também uma parte dos interesses estratégicos finlandeses na atual situação.
Para a Finlândia, a Rússia é fundamentalmente um factor-chave para a estabilidade global da região países nórdicos e bálticos.
A partir desta perspectiva, a Finlândia mais provável que não vê a Rússia como um ator de desestabilização e da NATO como um estabilizador.

A abordagem russa preferida em relação a Finlândia é uma combinação das antigas abordagens soviéticas observadas durante a era da Guerra Fria.
Se objetivos russos estão realmente focados sobre a revisão da ordem de segurança europeia, em seguida, os seus objectivos estratégicas com um vizinho relativamente mais fraco ir além das meras questões bilaterais.
A política finlandesa se torna uma função de objetivos mais amplos.

Para a Finlândia, isso significaria neutralidade política confortável que subtrai da unidade ocidental e prejudica as posições políticas europeias linha-dura com a Rússia.
Há influenciadores políticos na Finlândia que acham a postura de neutralidade aceitável e até desejável.
Mas eles estão atualmente em minoria.

Como Putin claramente indicou durante sua breve visita, ele sabe que as supostas lições da era da Guerra Fria assombrar finlandeses debates de política externa.
Embora a União Soviética não queria reconhecer a neutralidade finlandesa da mesma forma como a Suécia,  o comércio entre a Finlândia e seu vizinho oriental floresceu.
A economia finlandesa cresceu como resultado de aumentos anuais, politicamente aprovados no comércio.

O aspecto condicional de essa relação era clara sobre a política externa finlandesa.
Uma das recompensas foi a capacidade de se manter relativamente democrática e autônoma quando se tratava de políticas nacionais.
A liberdade política externa a manobra era consideravelmente mais apertada.
No entanto, a situação foi considerada controlável, especialmente por aquelas elites políticas estrangeiras que estavam interessados em obter o apoio de Moscovo.

A política mostruária da Rússia em direção a Finlândia é uma atração que tem de ser abordada de forma cautelosa.
A situação da Finlândia é muito diferente de que, durante a Guerra Fria e a Rússia não está na mesma posição que a União Soviética.
Além disso, a unidade ocidental é mais importante agora do que então.

Onde a Rússia se encaixa na política externa finlandesa

No entanto, entre os principais quatro pilares da política externa finlandesa é uma relação de cooperação com a Rússia baseada no diálogo.
Os outros três pilares estão melhorando a posição comum da União Europeia, o aprofundamento da cooperação de defesa com a Suécia, e garantindo a compatibilidade e cooperação bilateral com a NATO e os EUA

Gestora do equilíbrio global entre estes quatro fatores distintos define limitações em cada um.
Quando se trata de política na Rússia, a resposta para a equação é clara.
Quanto mais o desafio russo à ordem vigente recursos europeus, mais limitada é a janela finlandesa para a cooperação.
Segue-se também que é do interesse nacional da Finlândia para evitar o aprofundamento da postura de confronto.

A adesão à NATO continua a ser uma opção.
Finland está na NATO - compatível, já que tem o estatuto especial de "parceiro reforçada."
No entanto, o uso desta opção que contradizem abertamente o vetor russo da linha de política externa finlandesa atual.
Tais decisões não são tomadas de ânimo leve.

Muitos na Finlândia ver um mapa geopolítico e geoeconômico que está mudando a partir de uma linha de base desejável.
A Rússia violou o espírito de Helsínquia [A Acta Final de Helsínquia de 1975 - Nota do editor] e as suas próprias posições políticas bastante recentes no âmbito da OSCE.
Ela perdeu muito da confiança que foi colocado sobre ela durante o final dos anos 1990 e início dos anos 2000.
A falta de confiança coloca o ônus sobre interesses comuns.

A interpretação geopolítica prevalecente em Helsínquia é que os interesses nacionais finlandeses coincidem com as da NATO.
Porque a NATO é isto, e são o mais importante, os EUA, tem de confiar na Suécia e na Finlândia em um pior é caso-cenário para facilitar a defesa dos Estados Bálticos.
A presença de pesadas defesas aéreas russas na região de Kaliningrado destaca a importância do território sueco na segurança do abastecimento para os três Estados Bálticos.
É no interesse de que os EUA Finlândia controla seu próprio território, águas e espaço aéreo, em caso de conflito.

Ao mesmo tempo, é vital para a Suécia, e, especialmente, para a Finlândia, que os parceiros ocidentais possível proteger as linhas de comunicação marítimas globalmente estratégica no Mar Báltico.
O Mar Báltico fornece as artérias para a sociedade finlandesa e estado.
Quase todas as exportações finlandesas têm lugar nesta região marítima.
A Finlândia é um país moderno, digital - mas isso também significa que quase todos os seus dados digitais flui em linhas de comunicação sob o mar.
Ao mesmo tempo, as vias de circulação de ar estão acima do mar.

É claro que qualquer dos piores cenários iria transformar a posição estratégica finlandesa para com aqueles capazes de assegurar a região marítima.
Ao mesmo tempo, a dependência Russa da mesma região faz qualquer cenário de conflito muito improvável.
Os interesses coincidentes entre os EUA e, por outro lado, a Finlândia e a Suécia, fornecer a direção chave para desenvolvimentos de segurança.
Como habilitar e fortalecer a auto compartilhada - interesses de uma forma que é prático e acionáveis sem adesão à NATO?
A parceria reforçada era um produto do ano que antecedeu a cimeira Wales.
Suas possibilidades foram logo esgotados.

A relação finlandesa desenvolvimento com a NATO gira em torno de novas opções que estão apenas uma curta  adesão plena.
Quais são os possíveis papéis e mecanismos de parceiros na sua defesa colectiva?
Como poderia Finlândia beneficiar de seu possível papel como um estabilizador para os Estados Bálticos?
Esta questão é uma das dar e receber.
Não é uma das promessas de solidariedade ou acordos único lado.

Claro, existem vários fatores que podem minar a posição finlandesa - o colapso da UE, a fraqueza da NATO e um dos Estados Unidos mais imprevisível ou não confiável
Estes podem ser alvos da Rússia no desenvolvimento de uma nova política para a região.
Para a Finlândia, esta é a principal razão pela qual os interesses geoestratégicos da Rússia não coincidem com os seus próprios interesses.

A opinião do autor podem não reflecte necessariamente a posição da Rússia direta ou sua equipe.

sábado, 9 de julho de 2016

Investimento deve disparar em 2016 (INE)

Economia e Finanças
Publicado em 08/07/2016

O Investimento deve disparar em 2016 segundo empresários para uma taxa de 6,0%.

O inquérito de conjuntura ao investimento divulgado pelo INE relativo a opiniões recolhidas juntos de mais de 4000 empresários gestores de empresas nacionais (incluindo a recolha censitária das empresas com mais de 200 trabalhadores) revela um forte reforço das intenções de investimento para 2016.

A taxa de resposta global do inquérito foi de 97,7%.

Investimento deve disparar em 2016

Há seis meses este mesmo inquérito revelava intenções de investimento que apontavam para um incremento de 3,1%, agora, num inquérito que teve o trabalho de campo entre 1 de abril e 4 de julho revela uma expectativa de incremento do investimento de 6,0%.

O essencial deste reforço do investimento justificar-se-á pelo aumento do peso do objetivo “racionalização e restruturação” e, com menor significado mas igualmente em crescimento para o objetivo “extensão da capacidade produtiva“. 
O INE sublinha que se perpetiva “a diminuição da importância relativa do investimento de substituição, continuando, no entanto, a ser o objetivo mais referido“.

Na indústria transformadora destaca-se o aumento doa relevância do objetivo de “racionalização e reestruturação”, de “extensão da capacidade de produção” e de “outros investimentos” que deverão aumentar de importância (2,5 p.p., 2,4 p.p. e 0,1 p.p., respetivamente).

Quanto às limitações ao investimento, o INE sublinha que os empresários preveem uma “diminuição do peso relativo da insuficiência da capacidade produtiva e da deterioração das perspetivas de venda e um aumento do peso relativo da dificuldade em obter crédito bancário“.

Decompondo o investimento por dimensão das empresas descobrimos quão díspar é a situação. 
Atentemos nos número do INE sobre a Formação Bruta de Capital Fixo (que neste caso é o investimento das empresas ou FBCF).

Crescimento da FBCF em 2016:

Empresas com mais de 499 trabalhadores: +22,4%
Empresas com mais de 249 e menos de 500 trabalhadores: +11,8%
Empresas com mais de 49 e menos de 250 trabalhadores: +2,2%
Empresas com menos de 50 trabalhadores: -13,4%.
Note-se que face a estimativa anterior, a situação melhorou em todos os escalões, como se pode ver no gráfico do INE que reproduzimos de seguida:
























Investimento deve disparar em 2016 
Fonte: INE

O INE destaca as empresas do 4º escalão como sendo o motor do crescimento do investimento em 2016, não só para que se propõe investir agora mas também pelo contributo extremamente negativo em 2015.
“O diferencial de 6,2 p.p. do investimento empresarial entre 2015 (-0,2%) e 2016 (6,0%) é determinado sobretudo pela evolução das empresas pertencentes ao 4º escalão de pessoal ao serviço, que registam contributos de -3,1 p.p. em 2015 e de 7,4 p.p. em 2016, refletindo taxas de variação de -8,6% e 22,4% em 2015 e 2016, respetivamente.”
E as empresas exportadoras?
Atente-se neste parágrafo do INE sobre a Indústria transformadora:
Relativamente a 2016, perspetiva-se um crescimento de 19,8% do investimento empresarial nas empresas exportadoras, significativamente acima ao aumento previsto para o conjunto das empresas da secção de Indústrias Transformadoras (crescimento de 6,8%) e do aumento para o total de empresas (6,0%).
Recorde-se que estas mesmas empresas em 2015 terão registado um aumento do investimento muito mais modesto: 1,2%.


Em que é que se vai investir mais em 2016?
Segundo as resposta ao inquérito, o peso do investimento em equipamento será reforçado por contrapartida do investimento em construção. O investimento em material de transporte também deverá aumentar ligeiramente de peso o que é compatível com a informação que temos divulgado de aumento das vendas de veículos comerciais e pesados.


Onde estão os maiores desafios?
O INE tem uma secção no seu inquérito que aborda as limitações ao investimento. Apesar de se assinalar uma expectativa de grande dinamismo do investimento em 2016, há indicação de um aumento das limitações identificadas, tendo a percentagem de empresas que as refere passado de 47,6% em 2015 para 50,2%. Eis as preocupações a que se referem:
“Para a maioria das empresas, o principal fator limitativo ao investimento continua a ser a deterioração das perspetivas de vendas (49,3% e 48,8% em 2015 e 2016, respetivamente), seguindo-se a incerteza sobre a rentabilidade dos investimentos (19,7% e 20,0%) e a capacidade de autofinanciamento (10,8% em ambos os anos) (ver tabela 8).
De 2015 para 2016, o aumento dos pesos da dificuldade em obter crédito bancário (1,0 p.p.), da dificuldade em contratar pessoal qualificado (0,4 p.p.) e da incerteza sobre a rentabilidade dos investimentos (0,3 p.p.), foi parcialmente compensado pela redução dos pesos relativos da utilização insuficiente da capacidade produtiva (em -0,8 p.p.) e da deterioração das perspetivas de venda (-0,5 p.p.).“